14/03/24
Às vésperas do prazo final para desincompatibilização de gestores públicos que serão candidatos, no início de abril, o prefeito de Goiânia, Rogério Cruz (Republicanos), quer aproveitar a saída de auxiliares, que disputarão mandato de vereador, para ‘filtrar’ quem de fato está com ele no projeto de reeleição. Porém, se aprofundar a cobrança por fidelidade de sua equipe, Cruz corre o risco de encerrar o mandato sozinho.
A gestão municipal formatada por Rogério Cruz é um conjunto de ‘feudos’, distribuídos a diversos grupos: partidos, vereadores, deputados, empresários, entre outros. Nesse balcão, o prefeito organizou a sustentação de seu mandato com o respaldo de alguns partidos, da maioria dos vereadores e de alguns grupos empresariais. Esse acordo tem data improrrogável para encerramento: 31 de dezembro, ao término do mandato de Cruz.
O presidente da Câmara de Goiânia, Romário Policarpo (PRD), por exemplo, ostenta um poder considerável no Paço. É dele as indicações dos titulares das secretarias de Planejamento e Mobilidade, entre outras. As indicações, porém, não impediram que o presidente da Câmara, em muitos momentos, fosse um crítico da gestão municipal. Mais, Romário não demonstra entusiasmo com o projeto de reeleição do prefeito. Terá Cruz coragem de demitir os indicados de Policarpo?
O mesmo vale para as variadas indicações dos seis vereadores do MDB, que compõem a base do prefeito. Nunca foi segredo, o partido articula a construção de uma candidatura de oposição a Rogério Cruz. As indicações dos emedebistas estarão fora do Paço em abril? O prefeito vai mexer nos cargos indicados pelo decano Anselmo Pereira?
Enfim, se a régua de Rogério Cruz for manter no Paço quem garantir que estará em seu palanque em julho (isso se houver palanque), é provável o prefeito tenha de ele próprio cuidar de abrir e fechar as instalações do Paço nos próximos meses.