21/03/24
Ao deflagrar a Operação Endrôminas, que investiga fraudes em licitações e desvio de dinheiro público da Prefeitura de Goiânia, a Polícia Civil mirou em três secretários e alguns auxiliares diretos. Os alvos principais da Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (Deccor) eram os presidentes da Amma, Luan Alves; e da Comurg, Alisson Borges; e o secretário de Infraestrutura, Denes Pereira.
As investigações não citam diretamente o prefeito Rogério Cruz (Republicanos), mas agentes públicos nomeados por ele em três das principais pastas da gestão municipal. Surpreendentemente, porém, Cruz decidiu colocar a crise no próprio colo. Ao invés de distanciar-se do problema, o prefeito de Goiânia decidiu convocar uma entrevista coletiva e, mais estranho ainda, aparecer ao lado de dois dos investigados.
Ao tentar desembaraçar o nó em que se enfiou, Rogério Cruz disse que a investigação não era contra a Prefeitura, mas de CPFs, de prestadores de serviços. Obviamente, não é bem assim. Os secretários exercem funções de confiança e foram nomeados por Cruz. Há, portanto, uma responsabilidade direta. E por qual razão o prefeito apareceu ao lado de alguns dos auxiliares investigados?
A única medida mais firme tomada pelo prefeito de Goiânia foi o afastamento do presidente da Comurg, Alisson Borges. Foi tomada por não haver como justificar a apreensão de R$ 430 mil em espécie na residência dele. E quanto aos demais indícios? Rogério Cruz desconsidera-os? Se não, novamente o questionamento, por que aparecer ao lado de Luan Alves e Denes Pereira?