23/03/24
A presidente metropolitana do Partido Republicano, vereadora Sabrina Garcêz, informou ao jornal O Popular que ainda é prematuro avaliar os impactos efetivos e as consequências políticas geradas pela Operação Endrôminas, que cumpriu 32 mandados de busca e apreensão nos escritórios da Prefeitura de Goiânia. Segundo a vereadora, o prefeito Rogério Cruz (Partido Republicano) ainda detém a "preferência" para a candidatura à reeleição, dependendo de uma avaliação sobre a viabilidade do projeto.
"O trabalho do partido continua. O prefeito Rogério Cruz tem a preferência no Partido Republicano para ser candidato. Ele é prefeito e está na cadeira, e cabe a ele decidir se quer concorrer ou não. Não será uma imposição do partido a sua candidatura ou não. Mas ele precisa fazer uma avaliação e uma análise de viabilidade", afirmou Sabrina.
Entretanto, outros líderes do partido e assessores do prefeito entrevistados pelo jornal acreditam que a operação gera danos significativos à imagem de Cruz, principalmente diante da decisão considerada equivocada de manter investigados no alto escalão, como o caso do titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra), Denes Pereira. A compreensão é que a resposta ideal seria suspender todos os envolvidos, permitindo que se concentrassem em prestar esclarecimentos. Outra opção seria apoiá-los em seus cargos até que acusações fossem apresentadas à justiça.
A vereadora afirma que o partido ainda aguarda os desdobramentos da investigação. "Ainda não fizemos essa avaliação porque esta é uma operação recente. O que estamos fazendo como partido é aguardar para entender os desdobramentos dessa operação. Assim como o mundo político, todos estão esperando para entender o que mais há, se há algo mais, e para ver o que realmente foi esta operação."
Liderando a investigação, o chefe do Departamento Estadual de Combate à Corrupção (Deccor), Francisco Lipari, afirmou na quinta-feira, dia 21, que o conjunto de suspeitas sobre licitações e contratos representa "elementos de informação robustos" que justificaram as medidas cautelares. No entanto, o investigador admite que a investigação ainda está em estágios iniciais e que muitos pontos precisam de esclarecimentos, com base nos documentos, celulares e materiais de computador apreendidos, bem como nos relatórios de transações bancárias e fiscais dos envolvidos.
Questionada sobre a avaliação interna na prefeitura de que haveria fragilidades e inconsistências na apuração, Sabrina avaliou: "Não tive acesso ao processo e não posso avaliar se é frágil ou não. Independentemente de ser frágil ou não, é uma operação que, infelizmente, trata de um assunto muito ruim para qualquer pessoa e qualquer administração pública. Portanto, o partido observará os desdobramentos, fará uma avaliação com calma e tranquilidade e, depois, entenderá se são necessárias medidas. Por enquanto, não", afirmou.
O prefeito mantém sua posição com base na última conversa que teve em Brasília com o presidente nacional do partido, deputado federal Marcos Pereira, que supostamente garantiu a Rogério Cruz a prerrogativa de decidir sobre a disputa.
No entanto, esta avaliação é anterior à operação da Polícia Civil, que investiga suspeitas de desvio em contratos que totalizam R$ 125 milhões, de quatro secretarias municipais com três fornecedores de materiais. A investigação começou em maio do ano passado, tendo como principal alvo o secretário Denes Pereira, que também ocupou o cargo de Secretário de Administração.