28/03/24
Há 19 anos, a desocupação do Parque Oeste Industrial marcou um episódio sombrio na história de Goiás, deixando uma cicatriz profunda na vida de milhares de famílias. Autorizada pela Justiça durante o governo de Marconi Perillo (PSDB) e relembrada pelo jornal Opção em texto publicado no último dia 24 de março, a ação militar para retirar os ocupantes da terra privada ainda ecoa na memória dos moradores expulsos, sendo lembrada como um dos momentos mais violentos e traumáticos do estado.
O início da ocupação remonta a maio de 2004, quando as primeiras barracas foram erguidas na área particular. Ao longo de nove meses, as moradias se multiplicaram, transformando-se em residências de alvenaria. A evolução da ocupação foi acompanhada de perto pela população e pela imprensa, até que, em fevereiro de 2005, ocorreu a operação de desocupação do terreno.
Na manhã do dia 16 de fevereiro de 2005, máquinas demoliram as últimas casas da ocupação, em uma ação que ficou conhecida como o "massacre do Parque Oeste". As famílias foram retiradas do local em meio à violência e incerteza sobre seu destino.
Para muitos moradores, como Eronildes Nascimento, a violência da ação policial deixou marcas profundas. Eronildes, que foi uma das primeiras a ocupar a região, perdeu o marido, Pedro Nascimento da Silva, durante a intervenção militar. Pedro, juntamente com Wagner da Silva Moreira, foi uma das vítimas fatais, enquanto outras 14 pessoas ficaram feridas.
O trauma da desocupação afetou não apenas os adultos, mas também as crianças, como Marcela Guimarães da Silva, que tinha apenas 7 anos na época. A migração para abrigos temporários e o recomeço em novas moradias representaram desafios significativos para toda uma geração.
Após anos de luta, algumas famílias conseguiram receber escrituras de suas casas, mas o processo foi marcado por dificuldades e falta de infraestrutura básica. A entrega das moradias pelo Governo Estadual só aconteceu quase 15 anos após o massacre, em janeiro de 2020.
O "massacre do Parque Oeste" não é apenas uma lembrança dolorosa, mas também um alerta sobre as violações dos direitos humanos e a necessidade de garantir o acesso à moradia digna para todos. Os documentários que retratam esse episódio trágico continuam a ser uma forma de manter viva a memória das vítimas e reivindicar justiça.