Goiânia, 04/04/2025
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Usuários reclamam de atendimento e precariedade nas unidades de saúde de Goiânia

30/03/24

Após receber denúncias sobre o sucateamento de unidades de saúde da capital, reportagem do Jornal Opção percorreu cinco Centros de Atenção Integral à Saúde (Cais) e constatou vários problemas estruturais e de atendimento.

No Cais Amendoeiras o repórter relatou vários pontos de deterioração do prédio, como infiltrações em cima das camas dos pacientes, nos banheiros e em outras paredes da unidade que, segundo o jornalista, “fazem com que a massa utilizada para a pintura se solte e caia”.

A reportagem também ouviu relatos de pacientes e acompanhantes sobre o descaso dos profissionais que atendem no Cais. “Sempre venho aqui quando preciso, pois infelizmente não tenho condições de ter um plano de saúde. Eu já fui humilhada por médicos e por enfermeiras, que não têm respeito nem pela minha idade”, reclamou uma dona de casa de 81 anos.

Outro paciente da unidade, Fernando Rodrigues Rocha, contou já ter presenciado uma pessoa morrer por falta de atendimento, enquanto o médico dormia. No dia da reportagem, Fernando acompanhava a mãe, de 75 anos, que em uma cadeira de rodas e sentindo dores com suspeita de fratura na bacia, aguardava, há mais de 40 minutos, um exame de Raios-X.

No Cais de Campinas, a situação encontrada foi a mesma: infiltrações nas paredes e teto, e superlotação, principalmente, na pediatria.

Uma paciente que acompanhava o esposo, com suspeita de dengue reclamou da precariedade até das cadeiras utilizadas. “Essas cadeiras já deveriam estar no lixo. Não tem nem como fazer a higienização com elas todas rasgadas assim. É perigoso até o doente sair pior daqui por causa de alguma bactéria alojada nessas cadeiras”, disse ela.

A mãe de uma adolescente internada com dengue relatou ao repórter que ela mesma teve que levar roupas de cama e um ventilador para tentar amenizar o calor, já que o aparelho de ar-condicionado não está funcionando. “Aí a gente precisa se virar para conseguir suportar o calor. Até os lençóis para a cama eu tive que trazer. A situação desse prédio aqui está feia viu, nem parece que é um local para promover a saúde das pessoas”, diz.

Ainda de acordo com a reportagem, a recepção da pediatria estava lotada de mães com seus filhos, a maioria com os mesmos sintomas: febre e vômito. Segundo as mães ouvidas pela reportagem, a demora no atendimento, que chegava até 4h, é o pior problema da unidade. “Um funcionário da recepção revelou para o Opção que a demora nos atendimentos era porque quatro, dos cinco pediatras, eram novatos”, diz a matéria.

No Cais Vila Nova os problemas mais sérios encontrados foram de superlotação e demora no atendimento, já que a unidade passou por uma reforma recentemente.

A gestora técnica do Cais, que não quis se identificar, explicou que o tempo de espera por atendimento aumentou desde que a prefeitura fechou o Centro de Referência em Ortopedia e Fisioterapia (CROF). “Agora os clínicos gerais precisam atender além dos pacientes com enfermidades, os pacientes com traumas, causando uma demora ainda maior na espera. Não temos o que fazer, já que é uma resolução da secretaria”, esclarece.

Ainda de acordo com a reportagem, o Jornal solicitou uma entrevista com o secretário de Saúde, Wilson Pollara, mas a pasta só enviou uma nota respondendo os questionamentos.  

Veja a nota na íntegra

A Secretaria Municipal de Saúde esclarece que a ampla revitalização do Cais Amendoeiras está prevista para começar em duas semanas. Todos os pontos que precisam ser melhorados, estão sendo discutidos com o Conselho de Saúde local, inclusive, a plenária realizada no início desde mês, foi acompanhada por veículos de comunicação.  

As obras do Cais Campinas seriam executadas pela empresa RT Ambiental Eireki – EPP, vencedora da licitação para reformar as unidades de saúde que necessitavam de grandes reformas. Mas após atrasos, descumprimento de cronogramas e falta de investimentos nas obras, a secretaria foi obrigada a romper o contrato com a empresa.

Diante disso, a revitalização do Cais Campinas será incluída no cronograma de execução do Consórcio Gouveia, empresa que já realiza obras nas unidades de saúde do município. No momento, a empresa trabalha em 15 obras, entre elas a conclusão da UPA Guanabara e a reforma do Centro de Referência em Ortopedia e Fisioterapia (CROF). Tão logo seja concluída uma das obras maiores, a revitalização do Campinas será iniciada. Enquanto isso, então sendo realizados reparos conforme as necessidades da unidade para garantir conforto aos pacientes e condições de trabalho aos profissionais de saúde.

A Secretaria Municipal de Saúde esclarece que os casos simples de ortopedia passam primeiro pelo atendimento com o clínico geral onde a maioria dos problemas são resolvidos. Como, por exemplo, entorses, luxações e contusões onde o clínico faz exames e recomenda medicações.

Esse já é um fluxo normal em qualquer unidade de urgência. Caso haja necessidade, o paciente é encaminhado ao especialista. Em se tratando de casos mais complexos, o paciente vai direto para o ortopedista.  A secretaria esclarece ainda que está trabalhando para descentralizar e aumentar o serviço de ortopedia no município.

A Secretaria informa ainda que 43 unidades de saúde já passaram por completa revitalização.    


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