02/04/24
O assassinato de um homem em situação de rua na noite de domingo, 31, na Avenida Universitária, em Goiânia, trouxe à tona a urgência de um censo atualizado sobre a população em situação de rua na capital. Mais do que um número para as estatísticas de crimes violentos, o incidente evidencia a falta de conhecimento sobre essa parcela da sociedade, o que dificulta a implementação de políticas públicas eficazes para atender às suas necessidades.
O último levantamento realizado em 2019 apontou que cerca de 1,2 mil pessoas viviam nas ruas de Goiânia. No entanto, o Movimento Nacional de População de Rua (MNPR) estima que esse número tenha triplicado devido aos impactos da pandemia da Covid-19. A falta de dados atualizados impede uma compreensão adequada da situação e compromete o desenvolvimento de ações efetivas para lidar com esse problema social.
O local do crime, próximo ao Hospital de Câncer Araújo Jorge, na antiga Rua 10, chamou a atenção de moradores da região, que expressaram sua preocupação com a crescente presença de pessoas em situação de vulnerabilidade. Nas redes sociais, mensagens pedindo intervenção da Prefeitura de Goiânia e ações para lidar com a situação se multiplicaram, destacando a necessidade de uma resposta eficaz das autoridades.
A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social (Sedhs) de Goiânia reconhece a importância de um novo censo para atualizar os dados sobre a população em situação de rua. O último levantamento foi realizado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Criminalidade e Violência (Necrivi) da Universidade Federal de Goiás (UFG), e uma proposta para um novo estudo está em andamento. No entanto, a pandemia da Covid-19 tem dificultado a realização de novas pesquisas nos últimos anos.
Eduardo Matos, do MNPR, enfatiza a necessidade de um censo atualizado para direcionar políticas públicas eficazes. Ele destaca os desafios enfrentados pelos pesquisadores para obter dados precisos sobre essa população e ressalta a importância de envolver as próprias pessoas em situação de rua no processo de coleta de informações.
Enquanto isso, o Ministério Público de Goiás (MP-GO) iniciou um diagnóstico sobre os serviços sociais voltados para a população em situação de rua em Goiânia. A iniciativa visa embasar futuras ações e ajustes nas políticas públicas para melhor atender a essa parcela da sociedade.
O assassinato na Avenida Universitária serve como um lembrete da importância de conhecer e entender a realidade da população em situação de rua. Somente com informações atualizadas e políticas públicas eficazes será possível oferecer assistência adequada e combater a exclusão social enfrentada por essas pessoas vulneráveis.