02/05/24
Em uma entrevista concedida a um jornal mineiro O Tempo, o ex-governador de Goiás e presidente nacional do PSDB, Marconi Perillo, reconheceu a necessidade do partido de buscar um protagonismo perdido desde 2018, marcado pela derrota nas eleições de 2014 e pelo apoio ao impeachment da presidente reeleita Dilma Rousseff (PT), liderado por Aécio Neves.
Com o intuito de se destacar na votação de projetos no Congresso Nacional, Perillo afirmou que o partido reforçará as orientações da bancada. "Sempre que houver matéria relevante e de grande interesse público do país, nós vamos orientar a bancada. Ninguém obriga, mas a gente orienta no sentido de se fazer o melhor para o país", declarou.
Entretanto, Perillo ressaltou que essa busca por posicionamento no Legislativo difere do chamado "toma lá, dá cá" por troca de favores e cargos no governo. Segundo Perillo, o PSDB mantém uma postura de independência, destacando sua coerência política, filosófica e programática. "Nós somos a favor do Brasil", enfatizou. No entanto, ele reconheceu que a falta de alianças pode afastar a legenda do poder, admitindo que "às vezes, dificulta, diminui a bancada porque não tem emenda, não tem ministério, mas a gente mantém a nossa coerência".
Sobre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Perillo identificou alguns acertos, como a política econômica do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e os esforços do governo em recolocar o Brasil na cena internacional do debate de políticas ambientais. No entanto, ele ressaltou que o ministro "está sozinho" e avaliou o atual governo com uma nota 5, citando muitos equívocos e a falta de enfrentamento dos grandes problemas.
Quanto ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Perillo também não poupou críticas, atribuindo uma nota não muito alta e destacando a negação à ciência durante a pandemia. "Os extremos se prejudicam. Se retroalimentam, mas se prejudicam", concluiu.