14/05/24
Uma médica relatou uma tragédia que poderia ter sido evitada: um paciente morreu de falta de ar enquanto aguardava uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em Goiânia. Profissionais da saúde denunciam o sucateamento do serviço e a demora no atendimento aos pacientes e revelam um sentimento de impotência diante da situação.
"O paciente morreu por falta de ar porque não tinha viatura. Eu era a única viatura para atender Goiânia inteira e cheguei lá com 32 minutos. Ele já estava roxo e eu não pude fazer nada. Eu não estou falando que iria salvar ele, mas eu poderia ajudar e não consegui", desabafou a médica em entrevista à TV Anhanguera.
Em resposta, a Secretaria de Saúde de Goiânia afirmou que o Samu conta com 59 médicos distribuídos em plantões de atendimento nas ambulâncias e na regulação, responsável pela triagem das ocorrências. A secretaria destacou ainda que não há um processo conclusivo de óbitos causados por omissão de socorro.
A médica, que preferiu não se identificar, relatou que o paciente era asmático e precisava de socorro urgente. No entanto, devido à falta de viaturas do Samu, ele esperou por mais de 30 minutos e acabou morrendo. "Eu demorei 32 minutos para chegar, eu estava sozinha. Ele morreu por falta de atendimento", disse a profissional, visivelmente emocionada.
Ela expressou seu constrangimento por não ter conseguido chegar a tempo de salvar o paciente. "A gente fica seis anos estudando medicina e se especializando para ver as pessoas morrerem por falta de atendimento, isso dói muito. A gente também está pedindo socorro, está muito difícil", desabafou.
Segundo a médica, os problemas de demora no atendimento e a escassez de profissionais e ambulâncias começaram durante a pandemia de Covid-19. "De lá para cá, o serviço vem se deteriorando. Cada dia que passa é uma viatura que quebra, vai para oficina e isso reflete nos atendimentos", afirmou.
As irregularidades no Samu vieram à tona em janeiro deste ano, quando uma auditoria do Ministério da Saúde encontrou problemas no uso das verbas enviadas à Prefeitura de Goiânia para a manutenção das ambulâncias, que estavam paradas. O prejuízo total foi estimado em R$ 11 milhões, com relatos de ambulâncias estragadas e irregularidades nos relatórios para manter os pagamentos do governo federal.