19/05/24
O PSDB, embora tenha perdido força e relevância, continua presente no cenário político como um aliado da extrema direita. Hoje, o partido é considerado um nanico de direita, tendo sido eleitoralmente absorvido pelo bolsonarismo e agora atua subordinado a ele no Congresso Nacional.
Duas semanas atrás, enquanto o governo federal se mobilizava para atender às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul, o PSDB emitiu uma nota oficial criticando o presidente Lula por suposto atraso, omissão e discriminação contra o governador do estado, Eduardo Leite, pelo fato de ele ser tucano.
No entanto, a crítica dos tucanos veio um dia após Lula ter visitado o estado, se encontrado com Leite e determinado a instalação de uma base do governo federal para centralizar informações e coordenar ações. Assim, as reclamações da cúpula tucana foram vistas como meras bravatas políticas.
Agora, com o anúncio de Lula sobre a criação de uma secretaria extraordinária para apoiar a reconstrução do Rio Grande do Sul, o PSDB voltou a criticar. Desta vez, a reclamação é por um suposto excesso de ajuda que, segundo o partido, poderia render frutos eleitorais para o PT no estado.
A escolha do petista Paulo Pimenta para comandar a nova pasta incomodou tanto os dirigentes tucanos que eles consideram entrar com uma ação na Justiça para contestar a constitucionalidade da indicação do ministro.
Mesmo com Pimenta esclarecendo que o novo órgão atuará para apoiar o governo do estado, o PSDB trata a iniciativa como uma intervenção inadequada do governo federal. Pimenta afirmou que a secretaria extraordinária “complementará e suplementará” o trabalho do governo estadual e das prefeituras. Contudo, os tucanos temem o fortalecimento da imagem de Pimenta no estado, de olho na disputa eleitoral.
O presidente nacional do PSDB e ex-governador de Goiás, Marconi Perillo, emitiu uma nota afirmando que a criação da secretaria extraordinária causa "espanto e estranheza" e que a escolha de Pimenta tem um caráter eleitoral, visando a campanha de 2026. “Se uma crise dessa magnitude tivesse ocorrido em um Estado governado por um aliado do presidente da República, como Bahia, Ceará ou Piauí, o governo agiria da mesma forma? Claramente não. O que estamos assistindo é, no mínimo, uma falta de compromisso muito grande do governo federal com a população gaúcha, com o Estado do Rio Grande do Sul e, em última instância, com a própria democracia”, escreveu Perillo.