21/05/24
Com Alzheimer, Nagib Pacheco da Silva, que desapareceu no dia 29 de maio de 2015, quando tinha 75 anos, brincou com a esposa antes de sumir que 'ia chegar primeiro' que ela e os netos em casa, mas nunca chegou.
A notícia faz parte de uma série de reportagens do G1 sobre desaparecidos. Leia mais no fim da matéria.
“Ele pegou o carrinho da bebê e me deu, dizendo: ‘Sobe por aí com os meninos e eu vou subir por aqui, porque é perigoso, tem muito rapaz empinando moto’. Meu netinho mais velho ainda perguntou: ‘Vó, não tem perigo o meu avô ir sozinho e sumir não?’ e eu falei que não, porque ele sempre passava por ali, tinha um açougue perto e ele sempre comprava carne lá”, lamenta a esposa Geraldina da Silva, aos 84 anos.
A mulher diz que, embora Nagib tomasse remédio para controlar o Alzheimer, jamais imaginou que ele iria se perder tão perto de casa. Ela não tinha noção que a doença pudesse causar uma confusão mental tão forte no marido. Até porque, os dois moravam há quase duas décadas na mesma casa, no Solange Park I, e conheciam a vizinhança toda. Casados há mais de 60 anos, tiveram três filhos e mimavam vários netos. Recebiam a família para os almoços nos finais de semana e festas de Natal. Construíram memórias para uma vida toda.
“Ele se reunia dire to com amigos para jogar baralho, colocavam uma mesinha lá fora e amanheciam brincando. O povo aqui na rua sente muita falta dele”, diz Geraldina.
DESAPARECIDOS
Mais de 23 mil pessoas desapareceram em Goiás entre os anos de 2017 e 2024, segundo dados do Governo Federal. É uma média de nove desaparecimentos por dia, contra três de localizados. Leia mais aqui: https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2024/05/21/a-fe-e-o-drama-de-quem-busca-por-desaparecidos-goias-tem-media-de-nove-pessoas-desaparecidas-por-dia.ghtml