Goiânia, 04/04/2025
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BRs em Goiás têm média de 6 acidentes por dia

21/05/24

A superintendência da Polícia Rodoviária Federal em Goiás (PRF-GO) registra uma média de seis acidentes diários nas nove rodovias sob sua jurisdição. Entre 2022 e até o último dia 17 de maio, foram contabilizados 5.219 acidentes. Neste ano, em apenas 141 dias, já ocorreram 849 acidentes nas rodovias federais em Goiás. A BR-153 é a mais crítica, representando 39,2% dos casos no período analisado, com 2.049 acidentes. Em 2023, essa rodovia sozinha registrou 313 ocorrências, equivalente a 36,8% do total.

O chefe de comunicação da PRF-GO, inspetor Newton Morais, explicou que o aumento no número de acidentes é reflexo da retomada do tráfego após os anos de pandemia, quando o movimento nas rodovias federais caiu significativamente. "Antes, o trecho mais perigoso era de Anápolis a Gurupi, no Tocantins, mas agora é o trecho urbano entre Goiânia e Aparecida de Goiânia. Na prática, é a maior avenida da capital, com grandes eventos, comércios e atividades concentradas ao longo dela", destacou Morais ao jornal O Popular.

O crescimento urbano ao redor da BR-153 é um dos fatores que agravam a situação, especialmente com o aumento de pedestres na área. "Apesar da duplicação das passarelas, muitas pessoas ainda atravessam a rodovia entre os carros, como se fosse uma avenida comum", observou o inspetor. Só em maio, a PRF-GO registrou sete mortes em suas rodovias, três delas no trecho entre Anápolis e Goiânia, todas envolvendo motociclistas. Em 2023, a BR-153 foi responsável por 22 dos 64 óbitos registrados nas rodovias federais em Goiás, representando 34,3% do total.

Desde 2022, foram 465 mortes em acidentes nas rodovias federais goianas, das quais 182 ocorreram na BR-153, correspondendo a 39,1% dos casos. "O movimento é intenso e, sem a construção do Anel Viário, os problemas só vão aumentar. Não temos mais o que fazer nesse trecho", lamentou Morais. 

O Anel Viário, projetado para desviar o fluxo de veículos pesados e em trânsito, reduziria significativamente o tráfego na área urbana da BR-153. No entanto, a obra, que estava prevista na concessão rodoviária do trecho, não foi executada devido a entraves burocráticos e financeiros, agravados pela Operação Lava Jato. A concessionária Triunfo Concebra, responsável pelo trecho, enfrenta pressão de parlamentares e entidades empresariais devido à falta de investimentos, e atualmente opera por determinação judicial após o pedido de devolução da concessão.

Sobre os acidentes na BR-153, a Triunfo Concebra relatou 1.137 ocorrências em 2023, um aumento de 6% em relação ao ano anterior, atribuído principalmente à imprudência no trânsito. A concessionária destacou que realiza ações regulares de segurança viária e manutenção da rodovia, além de oferecer serviços de socorro emergencial 24 horas por dia. 

A Ecovias do Araguaia, concessionária do trecho entre Anápolis e o Tocantins, afirmou que a responsabilidade pela investigação dos acidentes é da PRF-GO, ressaltando suas ações de operação e atendimento ao usuário.

Apesar dos desafios, Morais destacou que a colaboração das concessionárias tem ajudado a reduzir os acidentes. "A sinalização e o atendimento melhoraram no trecho entre Anápolis e Porangatu, bem como na BR-050 e BR-060", afirmou. Mesmo assim, o inspetor ressaltou a necessidade de melhorias contínuas, como a instalação de mais radares e uma fiscalização mais rigorosa, especialmente na BR-153, que já conta com 70 radares fixos.


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