Goiânia, 04/04/2025
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Indígenas de Goiás mudam nomes Cristãos: “Não acho bom”

21/05/24

Uma ação coordenada pela Corregedoria-Geral da Justiça de Goiás possibilitou que indígenas do estado alterassem seus nomes cristãos para incluir suas etnias. A campanha “Registre-se!”, que se baseia na alteração da Lei de Registros Públicos de 2015, visa ampliar o direito de inclusão da etnia no nome, garantindo o respeito às identidades culturais dos povos originários. Hari Lare Karajá, da aldeia Deburé, exemplifica o sentimento coletivo: “Não acho muito bom o nome (em) português”.

Nos últimos dias, a Justiça de Goiás promoveu uma série de atividades no fórum de Aruanã (GO), sob a coordenação do corregedor-geral da Justiça de Goiás, desembargador Leandro Crispim, e da juíza auxiliar Soraya Fagury. A iniciativa, que foi gratuita, permitiu que indígenas como Eliane Javaé, da etnia Javaé da Ilha do Bananal, alterassem seus nomes de registro.

“Somos da etnia Javaé, da Ilha do Bananal. Minha mãe veio de lá. Ela é indígena pura, e meu pai é branco. Nós temos nomes de cristãos, mas queremos adotar nossos nomes indígenas. Temos muito orgulho da nossa origem. Cada povo indígena tem sua cultura e sua língua. Hoje, somos orientados e ensinados a valorizar nossas tradições. Na época da minha mãe, não era assim. Muito conhecimento se perdeu ao longo do tempo”, comentou Eliane Javaé, destacando a importância de resgatar e valorizar a identidade cultural.

Além da mudança de nomes, a ação em Aruanã ofereceu diversos serviços à comunidade indígena, como a emissão de certidões de nascimento e casamento, CPF, identidade nacional e ID Jovem – um documento virtual gratuito que possibilita a jovens de baixa renda acesso a vários benefícios. Também houve atendimentos realizados pela Defensoria Pública e pelo Ministério Público estaduais, garantindo um suporte integral às necessidades da população indígena local.


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