25/05/24
A troca de farpas entre Paulo Pimenta (PT-RS), que foi nomeado ministro da Secretaria Extraordinária de Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul, e lideranças do PSDB, intensificou-se nesta semana. Na última quarta-feira, 22, o presidente nacional do PSDB e ex-governador de Goiás, Marconi Perillo, respondeu às declarações irônicas de Pimenta sobre Aécio Neves (PSDB-MG), que criticara a nomeação do petista para o cargo.
O deputado federal por Minas Gerais Aécio Neves classificou a escolha de Pimenta pelo presidente Lula (PT) como uma “excrescência”. Segundo Aécio, que foi candidato à Presidência da República em 2014, Lula deveria ter consultado o governador Eduardo Leite (PSDB) antes de fazer a nomeação, considerando a decisão desrespeitosa ao líder gaúcho.
Na terça-feira, 21, em entrevista coletiva, Pimenta respondeu com sarcasmo às críticas de Aécio: “Aécio Neves? Não conheço”. A resposta do ministro provocou risos entre os membros do governo federal presentes, incluindo a ministra da Saúde, Nísia Trindade.
Marconi Perillo não demorou a reagir. “A resposta do ministro Pimenta acentua o seu despreparo, ao não ter como responder uma crítica política consistente feita pelo deputado Aécio Neves e pelo PSDB. Esperamos todos que o ilustre ministro, na próxima vez, se prepare melhor para responder politicamente as críticas políticas que receber”, declarou Perillo, conforme reportado pelo jornal O Globo.
O presidente do PSDB continuou: “Talvez ajude a reavivar a sua memória lembrar a ele que Aécio Neves foi aquele candidato que venceu de forma esmagadora a então candidata do ministro no seu Estado, o Rio Grande do Sul, e, em especial, na cidade-natal do ministro, Santa Maria”.
Aécio também comentou a situação, afirmando que a nomeação de Pimenta, que possui aspirações de disputar o governo do Rio Grande do Sul em 2026, “é um exemplo de que o presidente está mais preocupado com a politização do que com a efetividade das ações”.
Paulo Pimenta é considerado um potencial candidato do PT para suceder Eduardo Leite no governo do Rio Grande do Sul em 2026. Com Leite em seu segundo mandato consecutivo como governador, ele não poderá concorrer ao Palácio Piratini na próxima eleição.
O PT, que tradicionalmente é competitivo em Porto Alegre e no Rio Grande do Sul, tem perdido força nos últimos anos, não governando o estado desde 2015, quando Tarso Genro deixou o Palácio Piratini após quatro anos de gestão. Antes de Tarso, Olívio Dutra governou entre 1999 e 2003. Desde então, o estado foi governado por José Ivo Sartori (PMDB), de 2015 a 2019, e Eduardo Leite (PSDB), que está em seu segundo mandato, de 2019 a 2022 e desde janeiro de 2023.