26/05/24
Com o Rio Grande do Sul ainda enfrentando os impactos da maior tragédia climática de sua história, o presidente nacional do PSDB e ex-governador de Goiás, Marconi Perillo, reafirmou que Eduardo Leite é o nome do partido para disputar a Presidência da República em 2026. "Ele é e continuará a ser o pré-candidato do PSDB à Presidência", declarou Perillo.
Eduardo Leite, que se tornou o primeiro governador reeleito na história do Estado, enfrenta um momento de desgaste desde o início da crise climática. Em meio às polêmicas declarações e à necessidade de retratações públicas, Leite terá que lidar com as consequências da catástrofe, que ainda não foram completamente dimensionadas. A tragédia comprometerá ainda mais o orçamento estadual e a capacidade de investimento do governo, um desafio já presente antes das enchentes de maio.
Inicialmente, Leite deixou o comando do Estado em 2022 com a intenção de se candidatar à Presidência, mas voltou atrás diante de um cenário desfavorável e optou pela reeleição. Enfrentou no segundo turno o bolsonarista Onyx Lorenzoni (PL) e foi eleito com o apoio do PT, representado por Edegar Pretto, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno. Sem espaço no PSDB, Leite deixou a presidência do partido em setembro passado devido a uma decisão judicial.
Sem um sucessor claro dentro de seu grupo político, Leite terá um grande desafio para terminar seu mandato com o capital político intacto. Além da pressão de adversários bolsonaristas, ele também enfrenta assédio por parte de integrantes do governo federal. A União terá um papel crucial na reconstrução do Estado, especialmente na alocação de recursos, que serão muito maiores do que os disponíveis pelo Executivo estadual.
De acordo com o jornal Valor, houve uma mudança na postura de Leite em relação ao governo Lula e aos esforços federais para a reconstrução do Estado. Na semana passada, o governador recebeu em Porto Alegre o ministro da Defesa, José Múcio, que lembrou que, em 2026, haverá duas vagas em disputa no Rio Grande do Sul. A sugestão de Múcio era que Leite deveria compor com Paulo Pimenta, designado pelo presidente Lula para liderar os esforços de reconstrução.
"Nenhum governador enfrentou, nem de longe, o que ele está enfrentando agora. Vejo ele passando esse momento com muita altivez e garra", defendeu Perillo.
As declarações polêmicas de Leite, como quando disse que o excesso de doações poderia prejudicar o comércio local, ou quando admitiu que recebeu alertas sobre a ameaça das enchentes, mas que seu governo estava focado em outras "pautas e agendas", desgastaram ainda mais o governador. Ele precisou se retratar publicamente em ambas as ocasiões.
"Tem a ver com o stress, por estar sempre no limite, por isso ele fala coisas que as pessoas não compreendem direito", justificou Perillo. "Mas é melhor ser sincero e humilde do que hipócrita." Perillo elogiou a autenticidade de Leite, especialmente por reconhecer seus erros posteriormente.
Marconi Perillo, ex-governador de Goiás e ex-senador, assumiu a presidência do PSDB após a saída de Leite do comando do partido no final do ano passado.