28/05/24
O programa Fantástico, da TV Globo, exibiu neste domingo, 27, uma reportagem sobre a venda de garrafas de água que deveriam ser doadas aos moradores do Rio Grande do Sul. Nas imagens, Guilherme Ferreira de Souza é flagrado tentando lucrar com os materiais doados. Segundo a reportagem, as garrafas de água mineral foram doadas por um grupo de comerciantes e produtores rurais da cidade de Piranhas, no interior de Goiás, onde Guilherme viveu antes de se mudar para Canoas (RS) em 2023.
De posse das garrafas, Guilherme ofereceu a água a uma dona de distribuidora. “Comecei a instigar para ter certeza mesmo que era de doação e fiquei chocada. Imagina, vendendo água de doação, que era para ajudar o povo”, relatou a empresária, que preferiu não ser identificada. Com a denúncia em mãos, a reportagem fingiu interesse em comprar as águas para aprofundar a investigação.
Ao ser confrontado, Guilherme inicialmente tentou se justificar e afirmou que “não autorizava a reportagem”, alegando que ninguém estava recolhendo a água doada. Em um momento mais tenso da gravação, ele admitiu que estava cometendo um crime e chegou a derrubar a câmera da equipe no chão. “Admito que isso é um crime. Eu preciso desocupar o galpão, o caminhão não é meu, eu preciso pagá-lo”, disse.
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul foi notificada sobre o caso. Guilherme foi interrogado e liberado, enquanto a água foi distribuída em um centro administrado pela Prefeitura de Canoas.
O estado do Rio Grande do Sul enfrenta uma grave crise após ser atingido por fortes chuvas e enchentes desde o fim de abril. Até agora, 169 mortes foram confirmadas, 56 pessoas estão desaparecidas e 806 ficaram feridas, conforme o último balanço divulgado pela Defesa Civil do estado na manhã deste domingo, 26.
Apesar da trégua nas chuvas neste fim de semana, o nível do lago Guaíba permanece acima dos 4 metros, ultrapassando a cota de inundação de 3 metros. A Lagoa dos Patos também apresenta um nível preocupante, acima dos 2 metros, enquanto a cota de inundação é de 1,3 metro. A situação continua crítica, com esforços concentrados em resgates e assistência aos afetados.