06/06/24
O Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Único de Saúde de Goiás (Sindsaúde) apresentou uma representação ao Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) para contestar a anunciada transferência da sede da Vigilância Sanitária Municipal e Ambiental (Visam) de Goiânia. A proposta prevê a mudança para um imóvel alugado na Rua 8, no Setor Central, ao custo de R$ 50 mil mensais. No entanto, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) esclarece que ainda não decidiu onde será a nova sede.
A necessidade de transferência surgiu após um inquérito do MP-GO destacar as precárias condições do atual prédio da Visam, no Setor Leste Universitário. Embora a SMS tenha sugerido uma reforma na sede, considera a obra "inviável pelos altos custos e longo prazo de execução". Néia Vieira, presidente do Sindsaúde, afirma que os trabalhadores há anos reclamam das más condições das instalações, incluindo banheiros e elevadores. "O que nos surpreende é que só agora, após anos de queixas, decidiram pela mudança ou reforma", comenta.
Apesar da idade visível do prédio com entrada pela Avenida Universitária, problemas estruturais não são aparentes à primeira vista. No entanto, uma servidora há 13 anos no local revelou que "a impressão de boa condição é devido a uma recente 'maquiagem' na estrutura". Ela menciona que, em dias de chuva, o prédio fica "tomado por goteiras". Anteriormente, a situação era ainda pior, com banheiros femininos sem cubas para lavar as mãos.
Diante das denúncias de trabalhadores, o vereador Fabrício Rosa (PT) convocou uma audiência pública para 11 de junho, na Câmara Municipal de Goiânia. O objetivo é questionar o prefeito Rogério Cruz (Republicanos) sobre a transferência e entender por que a Prefeitura optaria por pagar R$ 50 mil mensais por um prédio "abandonado há anos". Fabrício suspeita de um possível lobby para a compra do atual prédio da Visam.
O Sindsaúde relata que os trabalhadores foram "surpreendidos" pela proposta de transferência para o imóvel na Rua 8, pertencente à Mzn Brasil. A construção, dos anos 70, estaria "extremamente desgastada pelo tempo de desuso". Um relatório de visita da Visam destacou problemas como a falta de atualizações nas instalações elétricas e hidrossanitárias, além de vidros quebrados, esquadrias enferrujadas e ventilação inadequada, tornando o local impróprio para fins administrativos.
A falta de acessibilidade no edifício também é uma preocupação. O relatório aponta desníveis, portais e escadas que dificultam o acesso. Néia Vieira questiona: "Por que a Prefeitura não investe esses recursos na reforma do prédio atual?", questiona.