12/06/24
Em meio a uma grave crise de infraestrutura, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Goiânia enfrenta a ameaça de greve. Nesta terça-feira, 11, o secretário de Saúde de Goiânia, Wilson Pollara, anunciou planos para transformar o Samu da capital. O projeto inclui a terceirização da frota de ambulâncias e a incorporação de telemedicina no atendimento, mas enfrenta forte oposição dos trabalhadores.
“Nós vamos ter o melhor Samu e o melhor transporte sanitário do Brasil”, afirmou Pollara em entrevista coletiva. Ele detalhou que esteve em Brasília com o diretor-geral nacional do Samu, que prometeu apoio total à reestruturação. “Expliquei a nossa situação e ele disse que está do nosso lado. Assim que estruturarmos a conjuntura, nossa situação será totalmente regularizada”, acrescentou.
O plano de Pollara para o Samu inclui a modernização dos serviços com a inclusão da telemedicina e a implementação de triagens mais eficientes. No entanto, um ponto central da proposta é a terceirização da frota de ambulâncias e de outros componentes do serviço, como os motoristas. Pollara argumenta que a terceirização é mais econômica do que a manutenção das ambulâncias municipais.
“Tínhamos 22 ambulâncias quando cheguei aqui, mas 15 estavam quebradas. Precisei pagar R$ 700 mil em manutenção atrasada para liberar as ambulâncias. Chegamos à conclusão que a manutenção é mais cara do que alugar ambulâncias novas, com substituição obrigatória em caso de defeito”, justificou o secretário.
Pollara também destacou a necessidade de terceirizar os motoristas devido a questões de seguro. Segundo ele, os veículos só poderiam ser conduzidos por trabalhadores das empresas terceirizadas, pois os custos seriam mais elevados se fossem servidores municipais.
Em resposta aos planos de Pollara, o Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Único de Saúde no Estado de Goiás (Sindsaúde/GO) convocou uma assembleia para discutir a privatização do Samu em Goiânia e avaliar a possibilidade de uma greve. O Sindsaúde criticou duramente o modelo de gestão proposto pelo secretário, lembrando que tentativas similares no passado, como a gestão pela Santa Casa, resultaram em problemas graves, incluindo o não pagamento de verbas rescisórias aos trabalhadores terceirizados.
Além da precariedade das ambulâncias, o sindicato revelou que Goiânia conta atualmente com apenas oito ambulâncias operacionais, enquanto outras dez estão em manutenção. Um dos veículos operacionais está sem médico. A categoria também solicita a convocação de aprovados em concurso público.
A crise do Samu de Goiânia se agravou com a suspensão de repasses financeiros pelo Ministério da Saúde em maio, após denúncias de que a Prefeitura de Goiânia teria recebido recursos de forma irregular do Governo Federal para manter o serviço. O prejuízo para os cofres do município foi de R$ 11 milhões.