Goiânia, 04/04/2025
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Eterno aliado de Marconi, presidente do Pros se entrega à polícia

15/06/24

O presidente do Solidariedade, Eurípedes Gomes Júnior, aliado de longa data do presidente nacional do PSDB, Marconi Perillo, se entregou à Polícia Federal (PF) em Brasília na manhã deste sábado, 15. Após estar foragido desde a última quarta-feira, 12, Eurípedes se apresentou à polícia por volta das 11h45 e permanecerá sob custódia até ser transferido para o sistema penitenciário.

Eurípedes Júnior é alvo de uma operação que investiga supostos desvios de recursos dos fundos partidário e eleitoral do partido PROS nas eleições de 2022. O PROS foi incorporado pelo Solidariedade no ano passado. As investigações foram desencadeadas por uma denúncia feita por Marcus Vinicius Chaves de Holanda, ex-presidente do PROS, que acusou Eurípedes Júnior de desviar cerca de R$ 36 milhões do partido.

Em 2019, as sedes do PROS em Brasília e em Planaltina de Goiás já tinham sido alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal. Na época, a corporação suspeitava de superfaturamento de contas de candidatos enviadas ao Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF). Um relatório elaborado pela PF apontava indícios de irregularidades nas contas de candidatos do partido no Distrito Federal e em outros estados.

A investigação focava no repasse de recursos milionários do fundo eleitoral para candidatos que obtiveram votação inexpressiva nas eleições de 2018. O PROS alegava utilizar sua própria gráfica, situada em Planaltina de Goiás, para imprimir o material de campanha de alguns candidatos, e declarou esses valores como recursos estimáveis.

Durante a eleição de 2018, o partido declarou, na prestação de contas inicial, ter investido mais de R$ 670 mil em propaganda para um candidato a deputado distrital que obteve apenas 690 votos. Após a análise das despesas pelo TRE-DF, o valor foi retificado para R$ 17,7 mil, com a justificativa de que os recursos foram destinados a outros candidatos também. As contas foram então aprovadas. Situação semelhante ocorreu com outras candidaturas do Distrito Federal.

Ao analisar a prestação de contas de outra candidatura a deputado distrital, o desembargador relator do caso apontou “indícios de possíveis irregularidades graves na contabilização das prestações de contas eleitorais dos candidatos a deputado distrital e federal do PROS/DF, nas eleições de 2018”. Ele destacou que tais suspeitas não eram objeto das apurações das prestações de contas, mas estavam sob a responsabilidade da Polícia Federal. Mesmo com as retificações nos valores, as contas foram desaprovadas pelo tribunal.


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