28/12/23
Um paciente com câncer no pulmão morreu depois de passar 14 dias internado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Residencial Itaipu, em Goiânia, aguardando vaga em um hospital, onde ele teria condições de receber um atendimento especializado. Uma decisão judicial havia determinado a transferência, mas ainda assim, a família não conseguiu a remoção e o homem morreu no dia de Natal.
Elson Joaquim de Souza, de 52 anos, estava internado na UPA desde o início do mês, mas o caso dele exigia uma atenção especializada. A família tentou de tudo. Como ele já fazia tratamento no Hospital Araújo Jorge, referência no atendimento de pacientes oncológicos, a família tentou levá-lo diretamente ao hospital, mas segundo a cunhada dele, Ilma Aparecida Mariano, a unidade alegou que ele não estava regulado para internação.
Os familiares ainda gravaram um vídeo mostrando a situação do paciente. Na gravação, o próprio Elson pede a transferência e diz que seu quadro está cada dia pior. Mas também não teve êxito.
Por fim, os parentes pediram socorro à justiça. No dia 23 de dezembro, a juíza Vanessa Crhistina Garcia Lemos determinou que a Prefeitura de Goiânia e o Governo de Goiás disponibilizassem a vaga um hospital, seja da rede pública ou conveniada, ou custeasse a internação na rede privada, dentro de 24 horas. Mas a ordem judicial foi ignorada e, na última segunda-feira, o paciente morreu.
A Secretaria de Estado da Saúde disse que a equipe de regulação buscou vaga para o paciente depois que recebeu a solicitação, mas as unidades estaduais não possuem enfermaria especializada em tratamento para o câncer.
Já a Secretaria Municipal de Saúde, responsável pela central de regulação de oncologia, disse que pediu informações sobre os motivos dele estar na UPA e não no hospital onde já fazia o tratamento, já que os pacientes oncológicos do Araújo Jorge, podem ir direto ao hospital.