02/08/24
Apesar do recente apoio do Partido dos Trabalhadores (PT) ao prefeito de Minaçu, Carlos Alberto Leréia (PSDB), sua candidatura para as eleições de 2024 está sob séria ameaça. A juíza Hanna Lídia Cândido, da 130ª Zona Eleitoral, decretou a inelegibilidade de Leréia e de Sivaldo Pereira Nunes por oito anos, em consequência de acusações de uso indevido de meio de comunicação para fins eleitorais.
A decisão judicial é resultado de uma ação movida pelo promotor eleitoral Darkson Moreira Albuquerque, que acusou Leréia de utilizar sistematicamente a Rádio Serra da Mesa, de sua propriedade, para fazer acusações contra seu adversário e sua esposa durante a campanha eleitoral de 2016. Segundo Albuquerque, Leréia utilizou a rádio para "desequilibrar o processo eleitoral" ao repetir propaganda eleitoral e reportagens que denegriam a imagem de seu oponente.
Relatórios de programação da rádio dos dias 27 e 28 de setembro de 2016 foram apresentados como prova, evidenciando o uso irregular da emissora. Durante esses dias, matérias jornalísticas com o intuito de manipular a opinião pública foram veiculadas em horários estratégicos, ocupando até 77% de alguns blocos de transmissão. Entre as matérias citadas estão "Rede Record -- repórter fala sobre candidato", "Fraude no INSS -- Informe 105", e "Band Goiânia fala sobre fraude no INSS", todas abordando de forma sensacionalista uma possível fraude no sistema previdenciário, associando-a a um adversário político de Leréia e Sivaldo.
Leréia, em resposta ao jornal O Popular, afirmou que recorrerá da decisão. Ele defendeu sua posição dizendo que as reportagens veiculadas eram retransmissões de matérias que já haviam sido ao ar em outras emissoras e jornais impressos do estado. "O prefeito e a primeira-dama possuem aposentadoria fraudulenta. O que eu fiz, na época, foi retransmitir matérias que foram ao ar em emissoras de Goiás e também em jornais impressos do Estado", declarou. Ele também afirmou que a decisão judicial fere "o direito de imprensa e de liberdade de imprensa", reiterando que apenas reproduziu as reportagens.
Além disso, Leréia enfrenta outra ação judicial. Em maio deste ano, a Justiça bloqueou cerca de R$ 1,5 milhão de seus bens. A decisão envolveu a contratação da Mané Sports através de um pregão eletrônico, que, segundo o promotor de Justiça Fernando Krebs, foi ilegal. Em sua defesa, Leréia afirmou que todo o processo licitatório foi previamente aprovado pela Assessoria Jurídica e pela Controladoria Geral do Estado, sem encontrar irregularidades.