10/08/24
Mais de 100 dias após o Consórcio Limpa Gyn assumir integralmente os serviços de coleta de resíduos sólidos, entulhos e varrição mecanizada em Goiânia, moradores de várias regiões da capital ainda enfrentam dificuldades com a irregularidade na coleta de lixo. Apesar das garantias do consórcio de que o serviço está funcionando normalmente, relatos de moradores apontam que a situação está longe de ser resolvida.
Segundo moradores de bairros como Real Conquista, Madre Germana 2, Residencial Santa Fé, Grajaú, Jardim das Esmeraldas e Residencial Itaipu, a coleta domiciliar tem ocorrido com atrasos de até 15 dias. No Jardim Atlântico, a espera chega a 10 dias, enquanto no Orienteville, a coleta tem demorado até 8 dias para ser realizada. Essas áreas, localizadas principalmente na região Sudoeste de Goiânia, são as mais afetadas pela falta de regularidade na passagem dos caminhões coletores.
A crise na coleta de lixo na capital goiana não é recente. Desde setembro do ano passado, a população já enfrentava problemas semelhantes, o que levou a Prefeitura de Goiânia a realizar uma força-tarefa para tentar mitigar a situação e justificar a terceirização do serviço, que vinha sendo questionada pelo Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO). A operação do Consórcio Limpa Gyn, que começou em julho, surgiu como uma solução para a crise, mas os problemas persistem.
Moradores de outros bairros, como Setor Jaó e Jardim América, também relatam dificuldades, especialmente na coleta de entulhos, como galhos e folhas deixados nas ruas. No entanto, em bairros como Água Branca, Criméia Oeste e Capuava, o serviço de coleta orgânica domiciliar tem sido regular, com a situação anterior já resolvida. No Setor Sul, a Associação Pró-Setor Sul (Aprosul) informa que, apesar da roçagem de praças e áreas verdes, os resíduos orgânicos não foram recolhidos há mais de 30 dias.
Em resposta às reclamações, o Consórcio Limpa Gyn afirma que o serviço de coleta domiciliar e remoção de entulhos está sendo realizado conforme o planejado, com 120 caminhões em operação e cerca de 800 colaboradores. "Não há irregularidade na coleta de lixo", garantiu o consórcio em comunicado. A Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra), responsável pelo contrato e fiscalização do serviço, também assegurou que acompanha de perto a execução dos trabalhos e que já notificou o consórcio duas vezes por falhas, as quais foram "solucionadas rapidamente".
Apesar dessas garantias, o serviço de coleta seletiva, que deveria ser realizado pelo consórcio, ainda não foi implementado, com o prazo adiado para outubro. Enquanto isso, a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) continua responsável por esse serviço em algumas regiões, o que gera mais dúvidas entre os moradores sobre a eficiência e a coordenação dos serviços prestados.