Goiânia, 04/04/2025
Voz de Goiás
·
Contato: vozgoias@gmail.com
Matérias


Dívida da Prefeitura de Goiânia com Hospital de Câncer Araújo Jorge ultrapassa R$ 45 milhões

20/08/24

A dívida da Prefeitura de Goiânia com o Hospital de Câncer Araújo Jorge (HAJ) chegou a um patamar alarmante e atinge quase R$ 45 milhões. Esse montante acumulado não inclui juros ou correção monetária, complicando ainda mais a situação financeira da unidade de saúde. A informação foi confirmada pelo diretor de Relações Institucionais da Associação de Combate ao Câncer em Goiás (ACCG), Dr. Jales Benevides, que ressaltou que os valores em atraso são referentes a repasses do Sistema Único de Saúde (SUS), emendas estaduais e federais, além de processos administrativos.

Em entrevista ao jornal Opção, Jales Benevides explicou que o hospital tem enfrentado dificuldades financeiras significativas devido aos atrasos nos repasses. “Estamos fechando nossas contas com um déficit de R$ 4 milhões todos os meses. Tudo o que produzimos pelo SUS não cobre nossas despesas. Custos como água, energia, alimentação e medicação dispararam. Só em quimioterapia, gastamos mais de R$ 4 milhões mensais. Nosso hospital é responsável por atender tanto Goiás quanto Goiânia, e não estamos sendo devidamente tratados pela Secretaria Municipal de Saúde”, declarou o diretor.

Benevides ainda criticou o atraso nos repasses federais, que, segundo ele, são feitos após a prestação dos serviços e deveriam ser encaminhados rapidamente ao hospital pela Secretaria Municipal de Saúde. “A União faz o pagamento, e esse dinheiro é repassado para a Secretaria de Saúde, que, por sua vez, deveria repassar ao hospital. No entanto, a Secretaria demora mais 40 dias para liberar um dinheiro que já deveria estar disponível. Isso resulta em um desrespeito ao povo goiano e, principalmente, aos pacientes oncológicos”, destacou.

A situação crítica tem colocado em risco a continuidade dos serviços do Hospital Araújo Jorge. Alexandre Meneghini, presidente da ACCG, afirmou que a falta dos repasses ameaça diretamente o funcionamento da unidade e pode levar à paralisação dos atendimentos. “Estamos fazendo todo o possível para mitigar os efeitos desses atrasos, mas a situação está se tornando insustentável. Sem a liberação urgente dos valores devidos, o hospital corre o risco de um colapso, comprometendo a saúde e a segurança dos nossos pacientes”, alertou Meneghini.

Atualmente, cerca de 90% da receita do HAJ é contratualizada com a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia, sendo que a unidade é responsável por quase 70% do atendimento oncológico em Goiás. O repasse dos recursos é feito pela União, por meio do Fundo Nacional de Saúde, e direcionado ao Fundo Municipal de Saúde de Goiânia. No entanto, o hospital tem enfrentado atrasos médios de 40 dias para receber os valores. Além disso, outras fontes de financiamento, como emendas parlamentares, também estão atrasadas, com recursos de 2023 ainda não repassados.

Em resposta, a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia afirmou, em nota, que está se esforçando para realizar os pagamentos devidos ao Hospital Araújo Jorge e que os repasses estão sendo feitos “dentro das condições do município”.


·

2025. Voz de Goiás. Direitos reservados.