08/09/24
A administração do prefeito de Caldas Novas, Kleber Marra, está cercada por questionamentos que exigem esclarecimentos, especialmente em relação à nomeação de Leandro Marcel Garcia Gomes como secretário de Turismo.
A polêmica envolve Leandro, que foi indicado pela deputada federal Magda Moffato e já responde a processos por crimes contra a administração pública de sua atuação na extinta Agência Goiana de Turismo, entre 2015 e 2016. As investigações apontam um rombo significativo nos cofres públicos durante seu mandato. O que torna questionável a escolha para a gestão de uma pasta de um indivíduo que enfrenta acusações de superfaturamento que se aproxima de R$ 70 milhões.
Recentemente, Leandro voltou a ser alvo de apuração pelo Ministério Público, em decorrência da autorização que concedeu para a contratação do show da dupla Israel e Rodolfo, no carnaval de Caldas Novas, pelo exorbitante valor de R$ 420 mil. Para agravar a situação, verificou-se que o mesmo espetáculo foi contratado, no mesmo período, pelo município de Goianésia por um preço consideravelmente mais baixo: R$ 300 mil.
Enquanto isso, Leandro tem se mantido cada vez mais distante da Justiça, evitando as intimações do Ministério Público que tentam convocá-lo para prestar esclarecimentos sobre os crimes em investigação. Há meses, as autoridades tentam localizá-lo, mas sem sucesso.
Diante desse cenário, a população de Caldas Novas exige transparência e respostas claras, especialmente do prefeito Kleber Marra, quanto aos critérios que justificaram a designação de Leandro para um cargo tão relevante e delicado quanto o de secretário de Turismo. A falta de explicações só aumenta as dúvidas e insatisfações em relação à gestão pública na cidade.
Segundo o promotor de Justiça responsável pela apuração, Augusto César Borges Souza, o município de Caldas Novas contratou a dupla pelo valor de R$ 420 mil, para se apresentar no dia 10 de fevereiro, sábado de carnaval. No entanto, a apuração feita verificou que o mesmo show foi contratado pelo município de Goianésia pelo preço inferior de R$ 300 mil, para uma apresentação no dia seguinte.
De acordo com a prefeitura de Caldas Novas, isso aconteceu porque a a data negociada com o município de Goianésia foi realizada com ampla antecedência, permitindo que o preço cobrado pelo cachê mantivesse um valor mínimo praticado no mercado musical. Além disso, Goianésia é a cidade natal dos artistas, "sendo que os mesmos possuem enorme apreço, carinho e consideração pelo início da carreira neste município", justificou a pasta.
O promotor explicou que o contrato da prefeitura de Caldas Novas incluiu despesas indiretas que deveriam ser responsabilidade da empresa contratada, não do município. Isso violou as regras do contrato e aumentou os custos. Para evitar prejuízos, o Ministério Público recomendou ao prefeito Kléber Luiz Marra e ao secretário de Turismo, Leandro Marcel Garcia Gomes, que suspendam o contrato devido ao sobrepreço e a outras irregularidades, e cancelem o show. Como alternativa, sugeriram renegociar o contrato para reduzir o preço e torná-lo mais justo.
Caso as medidas não sejam acatadas, os gestores e os contratados foram informados que poderiam ser responsabilizados por ato de improbidade administrativa.