09/09/24
Em uma manobra que revela o oportunismo político, o senador Vanderlan Cardoso (PSD), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, decidiu adiar mais uma vez a votação do projeto de lei (PL) nº 5.008/2023, que regulamenta a produção, comercialização, fiscalização e propaganda de cigarros eletrônicos no Brasil.
Coincidência ou não, a decisão do senador veio logo após pressões de setores específicos, como a bancada evangélica, que é contra o projeto. Vanderlan, alinhado a esse grupo, foi alvo de críticas diretas, inclusive do pastor Silas Malafaia, que o acusou de agir contra seus princípios religiosos.
Malafaia não poupou palavras ao se dirigir ao senador: “Quero dizer senador, que você é mentiroso, cínico e covarde”, atacou o pastor em um vídeo publicado nas redes sociais. A pressão sobre Vanderlan não parou por aí; nas redes do senador, só comentários de apoiadores são permitidos, revelando uma postura defensiva em meio à tempestade de críticas.
O comportamento de outros parlamentares também mudou com a proximidade das eleições, com muitos que antes apoiavam o projeto recuando, sinalizando que a preocupação com o impacto eleitoral está ditando o ritmo das decisões.
Em sua defesa, Vanderlan afirmou que o adiamento foi a pedido da autora do projeto, senadora Soraya Thronicke, e do relator, Eduardo Gomes, devido à falta de acordo e ao baixo quorum nas últimas sessões.
O discurso de Vanderlan tenta mascarar o óbvio: em campanha, o senador parece mais focado em proteger sua imagem do que em cumprir seu papel de legislador. Ao ceder às pressões e adiar a votação, ele expõe sua disposição de jogar com os interesses eleitorais, deixando o debate sobre os cigarros eletrônicos para um segundo plano, bem distante do compromisso com a saúde pública e com a sociedade.