15/09/24
Em 2019, a cidade de Caldazinha, localizada a 38 km de Goiânia, foi beneficiada com obras de asfaltamento financiadas por emendas parlamentares do senador Vanderlan Cardoso (PSD). A licitação foi conduzida pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), que ficou responsável pela execução e o titular é indicado pelo parlamentar. No entanto, um relatório da Controladoria Geral da União (CGU), publicado em maio de 2024, revelou que o asfalto aplicado é de baixa qualidade, além de haver indícios de superfaturamento nas obras.
As emendas parlamentares destinadas por Vanderlan, que à época se preparava para disputar a Prefeitura de Goiânia, totalizaram R$ 1,5 milhão para as obras nos bairros Boa Vista e Residencial Bom Jardim. Em visita à cidade em 2020, o senador elogiou o andamento dos trabalhos e a qualidade da pavimentação. No entanto, os moradores relatam uma realidade bem diferente.
Segundo Enivaldo Batista, morador do bairro Boa Vista, disse ao jornal Opção o asfalto que foi aplicado inicialmente não suportava sequer as chuvas. “Esse asfalto que fizeram aqui há uns quatro anos não valia nada. Quando chovia, a água o levava embora de tão fino que era. É uma vergonha como esses políticos tratam o nosso dinheiro”, criticou. Ele relatou que o asfalto foi refeito recentemente, dando finalmente uma solução ao problema. “Esse asfalto bonito que você vê agora só existe porque refizeram tudo há pouco tempo. Se não fosse isso, nem asfalto teria mais.”
Outro morador do bairro, que preferiu não se identificar, também expressou descontentamento. “Se o asfalto fosse bom desde o início, não teriam que refazer. Para onde foi o dinheiro?”, questionou, insinuando que o valor destinado à obra foi mal utilizado.
No Residencial Bom Jardim, a pavimentação também é alvo de queixas. O bairro, que possui apenas cinco ruas, teve apenas três delas asfaltadas pela Codevasf, e as calçadas, que deveriam ter sido feitas junto ao meio-fio, não foram concluídas conforme o contrato. “Fiquei feliz ao ver as máquinas na minha rua, mas por que em algumas ruas tem calçada e em outras não? Quem está errado?”, questionou uma moradora, que também preferiu o anonimato.
O relatório da CGU apontou superfaturamento nas obras de pavimentação em Caldazinha e em outras cidades brasileiras. Segundo a auditoria, a Codevasf contratou obras superfaturadas, com prejuízos estimados em R$ 7,3 milhões em todo o país. Em Caldazinha, foi constatada a incapacidade da empresa em fiscalizar adequadamente a execução das obras, o que resultou na aplicação de um pavimento de baixa qualidade.
Além disso, o Tribunal de Contas da União (TCU) também identificou irregularidades nas obras. O relatório do TCU destacou que o contrato firmado para a execução das obras, avaliado em R$ 1,5 milhão, incluiu serviços como a instalação de ferragens nas calçadas e construção de meio-fio, que não foram executados conforme previsto.
A prefeita de Caldazinha, Solange Gouveia (UB), que acompanhou as obras junto a Vanderlan e Abelardo Vaz, superintendente da Codevasf em Goiás, negou que o asfalto tenha sido refeito e afirmou que as denúncias dos moradores não procedem. “A pavimentação ficou perfeita, um trabalho espetacular”, declarou. Ela também disse desconhecer os relatórios da CGU e do TCU.
A Codevasf informou que tem adotado medidas para melhorar a fiscalização de suas obras, e que notificou as empresas responsáveis por eventuais irregularidades, exigindo a correção de falhas ou ressarcimento dos valores.