17/09/24
A candidatura de Eerizânia Freitas (União Brasil) à Prefeitura de Anápolis, apoiada por Roberto Naves (Republicanos), parece não ter ganhado força, apesar de duas tentativas de impulsioná-la. A primeira foi esconder a presença de Naves na campanha, mas, com o insucesso, o prefeito voltou aos holofotes, sem, no entanto, trazer o esperado crescimento nas intenções de voto para Eerizânia.
A questão que emerge, então, é: se Eerizânia está praticamente fora da disputa, qual o verdadeiro jogo de Roberto Naves? O prefeito, que foi eleito em 2016 e reeleito em 2020, é conhecido por sua astúcia política, e muitos especulam que sua estratégia atual visa derrotar Márcio Corrêa, o candidato da direita, apoiado por figuras como o ex-presidente Jair Bolsonaro e o vice-governador de Goiás, Daniel Vilela.
Embora Eerizânia Freitas seja a candidata “oficial” de Naves, as atenções do eleitorado parecem concentradas em Antônio Gomide (PT) e Márcio Corrêa (PL). A polarização entre direita e esquerda é uma tendência comum nas eleições, e Anápolis não foge à regra.
Ao que tudo indica, Naves estaria apostando em uma vitória de Gomide para evitar o fortalecimento de Márcio Corrêa, que, se eleito, poderia consolidar sua posição para uma eventual reeleição em 2028 — o que representaria um desafio a Naves, caso ele pretenda voltar à cena política naquele ano.
Embora Roberto Naves seja identificado com a direita, sua trajetória política inclui um período de trabalho em Brasília, durante o governo do PT, o que reforça a ideia de que suas alianças podem ser mais pragmáticas do que ideológicas.
Há rumores de que Naves teme uma possível auditoria nas contas da prefeitura caso Márcio Corrêa seja eleito, o que poderia motivar seu posicionamento. Ainda assim, o que parece mais preocupante para o prefeito é o surgimento de um novo líder político em Anápolis, o que poderia ofuscar suas próprias ambições futuras.
Antônio Gomide, que já foi prefeito de Anápolis, é visto como um gestor eficiente e conta com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Caso seja eleito em 2024, Gomide deve subir ao palanque de Lula em 2026, fortalecendo ainda mais o presidente em Goiás. Isso poderia ter implicações diretas para Naves, que, ao contribuir para a vitória de Gomide, acabaria, de certa forma, colaborando com a campanha de Lula.
Enquanto isso, Márcio Corrêa se alinha claramente à direita e, em 2026, é provável que apoie uma candidatura conservadora, como a de Ronaldo Caiado (União Brasil), que já começa a se movimentar em direção a uma disputa presidencial. Se houver segundo turno em Anápolis, o governador Caiado dificilmente se aproximaria de Gomide, deixando o palanque para Márcio Corrêa.
O papel de Roberto Naves nas eleições de Anápolis parece ser o de um jogador que move peças nos bastidores, buscando minar a ascensão de Márcio Corrêa enquanto favorece, direta ou indiretamente, Antônio Gomide. Contudo, essa manobra pode ser vista como um suicídio político, uma vez que o prefeito arrisca afastar-se de seu próprio eleitorado e das alianças que construiu ao longo de sua trajetória. O que resta saber é se essa aposta terá os resultados esperados ou se Roberto Naves ficará isolado em um jogo perigoso, à espera de uma vitória que pode nunca chegar — nem para ele, nem para sua candidata.