Goiânia, 04/04/2025
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Incompetência da Prefeitura de Goiânia deixa Santa Casa sem dinheiro e compromete atendimento

01/10/24

A Santa Casa de Misericórdia de Goiânia enfrenta uma crise financeira que ameaça o atendimento aos pacientes por conta da ineficiência da Prefeitura de Goiânia em repassar R$ 3,6 milhões destinados à unidade. Segundo a superintendente geral do hospital, Irani Ribeiro, os atrasos se referem aos meses de março e julho, e o dinheiro, que foi liberado pelo Governo Federal por meio de emendas parlamentares, está retido nos cofres do município há meses.

“O dinheiro das emendas já está no município, e eles não repassam para a gente. Desde julho, prometeram nos pagar ‘na próxima semana’, mas nada é feito. Assumimos um compromisso com esses recursos junto aos parlamentares, começamos a atender mais pacientes e agora estamos sem condições financeiras”, criticou Irani.

Conforme a superintendente, 96% dos atendimentos e leitos do hospital dependem de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS), enviados pelo Ministério da Saúde, mas a Prefeitura não cumpre os prazos estipulados para transferência. Uma portaria ministerial exige que os repasses sejam feitos em até cinco dias após o recebimento, mas a verba de março sequer foi liberada. “Nós não recebemos ainda o mês de março”, reforçou Irani, destacando a situação de penúria da instituição.

Além dos atrasos, Irani ressalta que a Prefeitura deveria repassar os valores corrigidos pelos juros de aplicação, conforme determina a legislação, o que também não ocorreu. “Se esse dinheiro fica na Prefeitura, ela tem que aplicar e passar para nós com a correção. E isso não está sendo respeitado”, pontuou.

A crise financeira afeta principalmente as áreas de cardiologia e cirurgia vascular, nas quais a Santa Casa é referência estadual. “Estamos trabalhando com muita dificuldade, porque os materiais, como próteses e órgãos, estão com valores acima do que recebemos do SUS. Além de não ter recebido a verba para podermos comprar, ainda temos que arcar com custos mais altos, sem qualquer compensação financeira”, lamentou a superintendente.

A Santa Casa, um dos principais centros de atendimento de saúde de Goiânia, se vê obrigada a recorrer a recursos próprios para manter serviços essenciais. Irani ainda manifestou esperança de que a situação seja solucionada com a mudança de gestão na Prefeitura. “Vamos ver se o próximo prefeito reconhece essa nossa dificuldade e regulariza os pagamentos pendentes”, afirmou.


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