10/10/24
Ignorar a imprensa e evitar debates durante uma campanha eleitoral pode ser um erro com consequências graves para qualquer candidato, especialmente em um cenário político altamente competitivo. A mídia e os debates oferecem uma plataforma fundamental para que o candidato apresente suas propostas, se defenda de críticas e enfrente os adversários diretamente, permitindo aos eleitores avaliar seu desempenho sob pressão.
A recusa em participar desses momentos decisivos transmite a imagem de insegurança, despreparo e falta de respeito ao processo democrático. Esse foi o erro cometido pelo candidato à Prefeitura de Aparecida de Goiânia pelo PL, Professor Alcides, que experimentou as consequências dessa escolha em sua campanha.
Em primeiro lugar, ao evitar o contato com a imprensa, o candidato perde uma das principais formas de comunicação direta com o eleitorado. Embora as redes sociais ofereçam uma alternativa para controle de narrativa, elas não têm o mesmo alcance ou impacto na formação de opinião que a mídia tradicional. “A imprensa é o principal canal para questionar, investigar e trazer à tona informações cruciais para o eleitor”, afirma o analista político Henrique Souza ao jornal Opção.
Quando um candidato evita interagir com jornalistas, ele perde a chance de esclarecer equívocos, defender suas ideias e moldar sua imagem. A ausência de interação pode ser interpretada como falta de transparência ou até medo de críticas, afastando eleitores que buscam autenticidade e clareza.
A estratégia adotada por Professor Alcides no primeiro turno foi justamente essa. Evitar entrevistas e debates resultou em uma percepção negativa do candidato. O resultado foi um "tiro no pé" que se refletiu nas urnas. Após os resultados do primeiro turno, no domingo, 6, sua equipe reconheceu o erro, mas pode ser tarde demais para reverter o prejuízo.
Outro ponto fundamental é a ausência em debates. Nessas ocasiões, o candidato tem a oportunidade de demonstrar conhecimento sobre temas relevantes e de expor diretamente suas ideias frente aos adversários. Essa troca de argumentos é decisiva para conquistar eleitores indecisos. “Debates são arenas onde os candidatos mostram sua capacidade de responder sob pressão e contrastam diretamente suas propostas com as dos concorrentes”, ressalta a cientista política Ana Borges.
Candidatos que evitam debates podem ser vistos como medrosos ou incapazes de defender suas propostas em público. Historicamente, debates têm o poder de virar o jogo em campanhas eleitorais, seja para consolidar favoritismos ou para reverter desvantagens. Professor Alcides, ao optar por não participar, abriu espaço para que os adversários dominassem o discurso, o que pode ter contribuído para seu desempenho fraco no primeiro turno.
Além disso, evitar a imprensa e os debates pode gerar uma percepção de arrogância. O candidato que se mantém distante do escrutínio público corre o risco de ser visto como desinteressado nos problemas reais da população ou até alheio à necessidade de prestar contas aos eleitores. Em tempos de hiperconectividade, transparência e comunicação são cada vez mais valorizadas pelos eleitores, e a falta dessas qualidades pode ser devastadora.
Por fim, ao se ausentar desses espaços, o candidato deixa um vazio que pode ser rapidamente preenchido pelos adversários. Eles aproveitam para explorar essa ausência, associando-a à fraqueza ou à falta de compromisso. Sem uma presença ativa, o candidato fica vulnerável a ataques e especulações que, sem resposta imediata, podem corroer sua imagem e credibilidade.