15/10/24
Em uma fala na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), o deputado estadual Fred Rodrigues (PL), antes de perder seu mandato, declarou que "as mulheres não são discriminadas no Brasil". Sua afirmação foi feita durante o Pequeno Expediente, enquanto justificava seu voto contrário a um projeto de lei apresentado pela deputada Bia de Lima. O projeto visava a valorização de mulheres no mercado de trabalho, tema que Fred tentou minimizar ao argumentar que a discriminação contra as mulheres não seria uma realidade no país.
Fred Rodrigues utilizou dados para embasar sua opinião, mencionando que "acidentes de trabalho ou em situações perigosas envolvem mais de 95% de homens" e que "mortes por crimes violentos afetam mais de 95% de homens". Ele também citou que “homens representam a maioria da população em situação de rua” e que, quando casais se separam, "90% da guarda dos filhos fica com as mulheres". Além disso, o ex-deputado trouxe estatísticas sobre educação: "mulheres já superaram os homens em formação de curso superior no Brasil", enfatizando que a sociedade, na sua visão, não seria composta por homens oprimindo mulheres.
Para ele, o maior argumento que desmontaria a "narrativa" de discriminação contra as mulheres seria o índice de suicídios. "Os homens se suicidam até quatro vezes mais que as mulheres", afirmou. Com isso, Fred concluiu que seria "inconcebível" considerar que a sociedade brasileira fosse organizada para prejudicar as mulheres, enquanto, segundo ele, "os homens sequer conseguem viver nela, ao ponto de cometerem suicídio em número muito maior".
Além disso, Fred Rodrigues também argumentou que o projeto de lei da deputada Bia de Lima "implicava uma discriminação". Em suas palavras, a proposta criava uma distinção injusta ao não considerar "homens negros", enquanto o texto valorizava "mulheres e mulheres negras".
A fala do ex-deputado desconsiderou o histórico de desigualdade e os desafios que as mulheres brasileiras ainda enfrentam em diversas esferas da sociedade, especialmente no mercado de trabalho. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que as mulheres, especialmente as negras, ainda são minoria em cargos de liderança, recebem salários menores em relação aos homens nas mesmas funções e estão mais sujeitas a jornadas duplas de trabalho, conciliando emprego e responsabilidades domésticas.