17/10/24
O senador eleito Wilder Morais (PL), que conquistou uma vaga no Senado nas eleições de 2022, enfrenta um processo no Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) que pode resultar na cassação de seu diploma. A ação, movida pelo partido Progressistas, acusa o parlamentar de irregularidades em gastos e doações durante sua campanha. Além de Wilder, também estão sob investigação seus dois suplentes, Izaura Cristina Cardoso e Hélio Araújo Pereira. Caso as acusações sejam confirmadas, a chapa completa pode ser cassada e uma eleição suplementar poderá ocorrer. O processo ainda está em andamento.
De acordo com a ação, as contas apresentadas pelo senador e seus suplentes "não refletiram com fidelidade os gastos efetuados", o que é considerado uma infração grave. “A prática tem como finalidade ocultar desequilíbrio na disputa eleitoral e a falta de paridade de armas, valores que a legislação busca assegurar com o rigor no exame das prestações de conta”, destaca o documento judicial.
Entre as acusações está o uso de um helicóptero durante viagens de campanha, cujas horas de voo não teriam sido adequadamente detalhadas. O processo alega que Wilder foi beneficiado não apenas pelo transporte em si, mas também pelas horas de voo doadas pelo piloto, configurando uma irregularidade nas doações estimáveis em dinheiro.
Outra questão levantada pela ação envolve a contratação de um imóvel utilizado como comitê central da campanha, localizado em frente à Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). As investigações apontam que o valor de locação foi subfaturado. O comitê teria sido alugado por R$ 17 mil, quando o valor de mercado seria em torno de R$ 60 mil. A suspeita é reforçada pelo fato de Wilder ser sócio-administrador da holding proprietária do imóvel, levantando questionamentos sobre o contrato firmado.
A ação também indica uma discrepância de R$ 36.006,89 entre os valores declarados na prestação de contas e aqueles registrados na base de dados da Justiça Eleitoral. Além disso, o processo menciona a existência de um suposto esquema de “caixa 2”.
À época, em resposta às acusações, a assessoria de Wilder Morais afirmou que as contas de sua campanha foram devidamente avaliadas e aprovadas pela Justiça Eleitoral. "As manifestações contrárias dos candidatos que não obtiveram votos suficientes para se eleger são uma tentativa de cercear o direito de 799.022 eleitores que fizeram sua escolha democrática", declarou o senador em nota, criticando o que classificou como "comportamento da velha política".
O processo foi movido pela Federação PSDB-Cidadania, que, durante as eleições, lançou a candidatura ao Senado de Marconi Perillo. O partido argumenta que Wilder abusou do poder econômico, o que teria desequilibrado a disputa eleitoral, violando a legislação. Uma das principais evidências apontadas pela Federação é o evento de promoção da “picanha mito”, em que o Frigorífico Goiás vendeu peças de picanha a R$ 22, no dia do primeiro turno das eleições.
Em uma participação no Programa do Ratinho, do SBT, o proprietário do frigorífico, Leandro da Nóbrega, afirmou ter vendido 22 mil toneladas de picanha em um único dia. Com o preço de mercado sendo cerca de R$ 129 o quilo, o prejuízo teria ultrapassado R$ 2,3 milhões. A ação questiona se essa promoção teria sido uma tentativa de compra de votos, favorecendo Wilder Morais, colocando também o empresário como alvo da investigação.