22/10/24
Diante da crise crescente nas maternidades públicas de Goiânia, o governo de Goiás foi formalmente acionado para intervir no sistema de saúde da capital. A vereadora Aava Santiago (PSDB) entregou um ofício ao vice-governador Daniel Vilela solicitando intervenção imediata, após o acúmulo de uma dívida superior a R$ 80 milhões, que ameaça interromper os serviços essenciais prestados às mães e recém-nascidos nas maternidades da cidade.
As unidades geridas pela Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas da UFG (Fundahc) — como o Hospital e Maternidade Dona Iris, Maternidade Nascer Cidadão e Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara — enfrentam uma situação crítica, com falta de insumos básicos, medicamentos e recursos para manter o atendimento. "É hora de agir com urgência em defesa da saúde e da vida dos goianos", declarou a vereadora nas redes sociais, ao destacar a gravidade da situação.
A crise nas maternidades já levou a restrições nos atendimentos e pode resultar na paralisação total dos serviços a partir de 1º de novembro, caso nenhuma medida seja tomada. A vereadora Aava Santiago afirmou que está trabalhando em conjunto com o Ministério Público de Goiás (MPGO), Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), Ministério da Saúde e outros órgãos para tentar reverter a situação.
A diretora executiva da Fundahc, Lucilene Sousa, revelou que a dívida da Prefeitura de Goiânia com as maternidades ultrapassa R$ 86,5 milhões em obrigações vencidas e R$ 127 milhões quando se consideram os passivos trabalhistas. A ausência de repasses comprometeu o fornecimento de insumos e o pagamento de médicos e profissionais de saúde, agravando ainda mais a crise.
Sem avanços nas negociações com a prefeitura, Lucilene afirmou que o município alega falta de recursos, mesmo após ultrapassar o percentual mínimo exigido por lei para a saúde. A presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal de Goiânia, vereadora Kátia Maria (PT), também criticou a gestão municipal, afirmando que, apesar de aumentos no repasse para a saúde, "a população não sente esse impacto nos atendimentos".