31/10/24
O secretário de Saúde de Goiânia, Wilson Pollara, apresentou um balanço financeiro referente aos últimos quadrimestres de 2024 à Comissão de Saúde da Câmara Municipal. A presidente da comissão, vereadora Katia Maria (PT), criticou duramente a gestão, destacando a falta de transparência e eficácia no uso dos recursos da saúde. Ela apontou que, apesar de 24% da receita do município serem destinados ao setor, os serviços de saúde ainda enfrentam falta de insumos e déficit de pessoal. "Chego nas unidades e tem lugar que não tem álcool e algodão", afirmou Katia.
Outro ponto de tensão foram os altos valores em atraso que a prefeitura deve a entidades filantrópicas e privadas: o Hospital Araújo e Jorge acumula R$ 40 milhões em dívidas, laboratórios têm um passivo de R$ 6 milhões e as maternidades somam R$ 86 milhões. Segundo Katia, a prefeitura falhou em planejar ações para sanar essas dívidas, o que impacta diretamente a qualidade do atendimento. “Poderia ter sido feito um planejamento para sanar esse passivo”, criticou.
Pollara admitiu os problemas e revelou que os compromissos financeiros e a folha de pagamento, que sozinha consome 17% dos recursos destinados à saúde, comprometem ainda mais o orçamento. Ele explicou que a alta demanda de pacientes de outros municípios nas maternidades de Goiânia eleva os custos, já que o SUS cobre apenas parte das despesas. "As três maternidades custam mais de R$ 250 milhões por ano", justificou.
Para pressionar a gestão, Katia anunciou que a Comissão encaminhará relatórios de fiscalização ao Ministério Público e ao Conselho Regional, além de estudar ações judiciais. "Eles não têm cumprido as metas de saúde. A Câmara já encaminhou ao Ministério Público e demais órgãos de controle as ineficiências e problemas administrativos detectados para análise e, se necessário, a judicialização”, concluiu a vereadora.