31/10/24
O prefeito eleito de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil), manifestou insatisfação com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e com o deputado federal Gustavo Gayer (PL) após uma disputa eleitoral marcada por trocas de acusações. Mabel, que foi apoiado pelo governador Ronaldo Caiado (União Brasil), acusa Bolsonaro de “deslealdade” por ter promovido o nome de Fred Rodrigues (PL) à prefeitura. Segundo o prefeito eleito, a única discussão sobre cassação deveria recair sobre o mandato de Gayer.
“Deveriam cassar o mandato do Gayer por esse tanto de confusão que fez. Esse monte de fake news que foi feito. Isso daí, sim, precisa ser olhado”, afirmou Mabel em entrevista ao Estadão. Ele ressaltou ainda que a Polícia Federal investiga o deputado, que foi alvo de uma operação na última sexta-feira, 25, por suspeita de desvio de recursos da cota parlamentar. “O Gustavo Gayer não tem muito o que falar porque a Polícia Federal está no encalço dele. Pegou ele e uma série de assessores dele”, acrescentou.
Gayer atribuiu a operação da PF a uma manobra política de Caiado, que, segundo ele, pretendia desgastar o candidato que apoiou na eleição, Fred Rodrigues. A situação provocou uma reação de apoiadores de Bolsonaro, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que publicamente atacaram Caiado. Michelle chegou a afirmar que “quem nasceu para ser Caiado, nunca será Bolsonaro”.
Mabel se disse decepcionado com Bolsonaro, mencionando que a postura do ex-presidente ao apoiar um candidato contrário foi uma demonstração de deslealdade. “Ele foi muito desleal comigo, sobretudo, que sempre o ajudei ao longo da sua vida parlamentar, quando ele não era o Bolsonaro presidente. Eu acho que ele foi muito desleal defendendo uma candidatura que era péssima para Goiânia”, disse.
Apesar da oposição de Bolsonaro e seus aliados, Mabel afirma que a direita não está dividida em Goiânia e que o seu governo terá apoio significativo na Câmara Municipal, contando com 30 dos 37 vereadores da cidade. Ele defendeu que, para vencer em 2026, a direita precisará se afastar do extremismo e buscar candidatos de perfil moderado, exemplificando com sua própria campanha e com o governador Ronaldo Caiado.
“Se a direita quiser ganhar as próximas eleições presidenciais, ela precisa estar com candidatos que tenham uma visão de centro-direita, como é o caso do Caiado aqui. Se tiver de extrema, chega no segundo turno, mas não passa. O Bolsonaro chegou ao segundo turno em diversas capitais, mas os candidatos dele não ganharam”, avaliou Mabel, comparando o fenômeno ao “cavalo paraguaio” — uma expressão que se refere a quem começa forte, mas não chega até o final.
Mabel também reconheceu o peso do apoio do governador Caiado para a sua vitória nas eleições e afirmou que a participação do governador foi fundamental para a mobilização eleitoral. “O apoio do governador foi fundamental. Eu sou o candidato que ele lançou, então a responsabilidade da eleição era até dele. Ele trabalhou muito forte em cima dessa eleição e eu diria que o apoio dele foi fundamental para a vitória”, declarou.