01/11/24
Pesquisas da Quaest realizadas na véspera do segundo turno das eleições municipais mostram que o eleitorado feminino se consolidou como um "bloqueio" aos candidatos apoiados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas capitais Belo Horizonte, Goiânia e Curitiba. Os dados revelam uma tendência feminina por candidatos mais moderados, em contraste com o apoio masculino a figuras mais alinhadas ao bolsonarismo.
Em Goiânia, o candidato de Ronaldo Caiado, Sandro Mabel (União Brasil), obteve 17 pontos percentuais de vantagem entre o público feminino sobre Fred Rodrigues (PL), alinhado a Bolsonaro, embora os homens tenham demonstrado uma divisão mais próxima, com 44% a 41%.
Em Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD) garantiu 12 pontos percentuais a mais entre as mulheres (49% a 37%) contra o bolsonarista Bruno Engler (PL). Entre os homens, no entanto, a disputa foi acirrada, com Engler liderando ligeiramente por 45% a 43%.
Já em Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD) despontou entre as mulheres com 55% das intenções de voto contra 34% da bolsonarista Cristina Graelm (PMB), enquanto no segmento masculino o cenário era de empate técnico.
A preferência das eleitoras por candidatos centristas reflete a dificuldade do bolsonarismo em atrair esse segmento demográfico. O presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, disse ao O Globo que as mulheres, representando a maioria dos usuários de serviços públicos, são mais pragmáticas nas demandas e buscam candidatos focados em temas reais.
“As mulheres estão sempre atentas às necessidades do cotidiano urbano, sendo maioria em temas como vagas em creches e o sistema de saúde. Esse cenário favorece candidatos incumbentes, ou que mantêm um discurso mais moderado,” explica Meirelles.
A campanha bolsonarista, tentando mitigar essa resistência, trouxe Michelle Bolsonaro para participar dos palanques, além de explorar histórias pessoais, como a de Fred Rodrigues em Goiânia, que citou a luta de sua esposa contra a esclerose múltipla.
Mesmo assim, o movimento não foi suficiente para vencer a preferência das mulheres pelos candidatos com propostas mais centralizadas. A tendência feminina por candidatos moderados confirma um fenômeno de rejeição ao extremismo, já observado nas eleições presidenciais de 2022, quando Jair Bolsonaro enfrentou elevada rejeição do eleitorado feminino.