02/11/24
Na última sexta-feira, 1º, foi divulgada em Brasília a atualização do Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades (IDSC-BR), que analisa o progresso de 2.885 cidades brasileiras em relação aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela ONU. Goiânia apresentou avanços em áreas específicas, mas segue abaixo da média em aspectos críticos de inclusão social e proteção ambiental.
O índice de desenvolvimento da cidade demonstrou que, apesar de avanços pontuais, as políticas locais ainda não garantem condições ideais de vida para todos. O IDSC-BR é uma ferramenta que monitora o progresso das cidades brasileiras com foco em metas sociais, econômicas e ambientais.
Em entrevista ao jornal Opção, a arquiteta e urbanista Maria Ester apontou falhas nas políticas ambientais e de assistência social na cidade. “A pontuação de Goiânia é mediana; é como se fosse um aluno que tirou nota 5. Precisamos de uma mudança cultural que valorize o patrimônio natural e promova a educação ambiental”, afirmou. Ela enfatiza que falta uma visão que integre as questões ambientais ao desenvolvimento urbano, rompendo com a ideia de progresso apenas através da expansão urbana.
Em relação aos ODS, Goiânia teve desempenho médio no ODS 1, que trata da erradicação da pobreza, e desempenho baixo no ODS 2, ligado à fome e à agricultura sustentável. A cidade obteve uma das classificações mais baixas, entre 40 e 49,99, no ODS 5, que se refere à igualdade de gênero. O ODS 3, que avalia saúde e bem-estar, foi um dos destaques positivos, com pontuação entre 60 e 79,99.
Para avançar, Maria Ester acredita que Goiânia deve ampliar suas políticas de apoio a grupos vulneráveis e enfrentar problemas de desigualdade. “Nossa pontuação em igualdade de gênero é uma das piores. Precisamos de políticas públicas que realmente protejam mulheres e a comunidade LGBTQIA+”, sugere. Ela também destaca o aumento da população em situação de rua como uma questão urgente para a capital.
A cidade teve um bom desempenho no ODS 6, relacionado ao acesso à água potável e saneamento, com uma das melhores pontuações, entre 80 e 100. Já no ODS 9, que aborda inovação e infraestrutura, Goiânia teve um dos desempenhos mais baixos, com pontuação inferior a 39,99. A redução das desigualdades, abrangida pelo ODS 10, também apresentou resultados críticos, pontuando entre 40 e 49,99. No quesito mudanças climáticas, Goiânia obteve uma pontuação alta no ODS 13, com valores entre 80 e 100, mas em conservação ambiental (ODS 15), a cidade teve um dos piores índices, com pontuação abaixo de 40.
No campo ambiental, Maria Ester propõe a implementação de políticas inovadoras e à frente de seu tempo. “Precisamos de uma gestão que olhe para o futuro e invista em planejamento robusto que considere os impactos das mudanças climáticas”, comenta. A especialista defende que a educação ambiental precisa ser prioritária e que Goiânia deve valorizar o Cerrado e sua biodiversidade, investindo em produção local de alimentos para um desenvolvimento mais sustentável.
Para enfrentar questões estruturais, como desastres naturais, a arquiteta sugere que Goiânia se prepare com um plano de ação para períodos de chuva, incluindo estruturação da defesa civil e criação de abrigos para pessoas vulneráveis. Sobre a produção de alimentos, ela acredita que a cidade deve investir na agricultura familiar e buscar parcerias com a Universidade Federal de Goiás para desenvolver projetos que conectem teoria e prática. “O município tem um potencial enorme para a produção local. Isso pode ajudar a melhorar nossos índices e a combater a fome”, observa.
Para Maria Ester, o comprometimento com a legislação existente é essencial. “As leis e os planos já existem, mas precisam ser aplicados. A implementação precisa partir de uma compreensão profunda das demandas da cidade”, afirma, apontando a falta de execução dos planos como um dos principais desafios para o desenvolvimento sustentável de Goiânia.
Concluindo, a especialista reforça a importância de uma mudança de mentalidade para que a cidade avance. “Precisamos conscientizar gestores e população sobre a seriedade das questões climáticas. É responsabilidade nossa nos preparar para o que está por vir”, ressalta. Para Maria Ester, o desenvolvimento sustentável deve ser impulsionado pela união de esforços de diversos setores, incluindo imprensa, universidades e governo.