02/11/24
A configuração das administrações municipais em Goiás, após as eleições, reforça a dominância do União Brasil (UB), partido liderado pelo governador Ronaldo Caiado. Com um total de 95 prefeitos eleitos, a legenda comandará cidades que, somadas, atingem um orçamento de R$ 19,44 bilhões, e representam 2,4 milhões de eleitores, deixando o UB com uma ampla vantagem sobre outros partidos aliados, como MDB e PL. No total, a base de Caiado controlará um orçamento municipal de R$ 32,1 bilhões, segundo levantamento com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM).
O salto nos recursos orçamentários, previsto para 2025, inclui o aumento das receitas de Goiânia, que, sob a liderança do prefeito eleito Sandro Mabel (UB), crescerá de R$ 8,7 bilhões para R$ 10,6 bilhões. Mesmo sem esse acréscimo, o UB ainda lideraria em orçamento, acumulando cerca de R$ 10,7 bilhões em receitas dos municípios goianos. O segundo lugar entre os aliados fica com o MDB, que, sob o comando do vice-governador Daniel Vilela, atingirá R$ 7,323 bilhões em receitas municipais, enquanto o PL, partido do senador Wilder Morais, projeta R$ 5,730 bilhões.
A estrutura financeira do UB inclui o controle de seis dos 13 maiores orçamentos municipais de Goiás, como Goiânia, Senador Canedo, Trindade, Luziânia, Águas Lindas de Goiás e Itumbiara. O MDB, por sua vez, administrará Rio Verde, Catalão, Mineiros, Valparaíso e Caldas Novas, cinco grandes municípios no estado. Entre as cidades com orçamentos mais elevados da oposição, o PL comandará Anápolis e Jataí, somando-se à sua lista de 26 prefeituras que reúnem 755.692 eleitores e receitas significativas, especialmente em Anápolis, com R$ 2,159 bilhões e 292 mil eleitores.
A expansão das bases do UB e do MDB acontece ao lado de um encolhimento de outros partidos governistas. O UB, que antes comandava 67 prefeituras, passou para 95, enquanto o MDB, que possuía 29 municípios em 2020, agora conquistou 47. Em contraste, o PP, partido do presidente da Agência Goiana de Habitação (Agehab), Alexandre Baldy, caiu de 30 para 26 prefeituras. Embora igualado ao PL no número de prefeituras, o PP conta com um eleitorado reduzido e orçamento inferior. Planaltina e Cidade Ocidental, as maiores cidades conquistadas pelo PP, representam 115.685 eleitores e receitas que somam R$ 796 milhões, mas seu maior orçamento municipal será Goiatuba, com R$ 480 milhões.
O crescimento da influência do PL, partido alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, inclui uma base em cidades como Formosa, Cristalina, Novo Gama e Morrinhos, cada uma com receita superior a R$ 200 milhões. A liderança na cidade de Anápolis também confere peso adicional ao PL, mas a posição do prefeito eleito, Márcio Correa (PL), quanto ao cenário estadual de 2026 ainda gera incertezas. Embora Correa mantenha proximidade com Daniel Vilela, ele afirmou que "governará para todos", suavizando o discurso ideológico e mostrando uma disposição moderada na política estadual.