03/11/24
O deputado federal Gustavo Gayer (PL) retirou 50 vídeos de seu canal no YouTube, três dias após ter seus dispositivos apreendidos pela Polícia Federal (PF). A maioria desses conteúdos criticava o Supremo Tribunal Federal (STF) e, especialmente, o ministro Alexandre de Moraes. A exclusão dos vídeos foi detectada por monitoramento da Novelo Data, e divulgada pelo analista Guilherme Felitti na plataforma Bluesky, que detalhou que o material estava disponível antes da operação.
Entre os vídeos deletados, quase metade incluía o nome de Moraes nos títulos, além de 10 vídeos que mencionavam o presidente Lula, 7 que citavam o STF e 3 que referiam o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo o Núcleo Jornalismo, diversos títulos apelavam para sensacionalismo e desinformação, um método frequentemente usado por Gayer em seus conteúdos para atrair maior audiência. Estimativas da SocialBlade indicam que o canal do deputado poderia gerar uma receita anual entre R$ 515 mil e R$ 8,2 milhões, superando seu salário parlamentar de R$ 471 mil.
A operação da PF foi autorizada por Moraes em 18 de outubro de 2024, após investigação apontar Gayer como peça central em esquema de desvio de verbas públicas. A PF sugere que os recursos desviados, supostamente destinados a projetos sociais, foram também usados para apoiar atos golpistas contra os Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. Após a operação, Gayer declarou em vídeo que a busca policial foi uma tentativa de “prejudicar seu candidato Fred Rodrigues (PL)” em Goiânia, criticando Moraes, a quem chamou de “ditador”.
Em meio às acusações, o deputado também enfrenta denúncia por peculato. Em junho, o cientista político e comunicador Carlito Neto afirmou, em entrevista ao programa “Fórum Onze e Meia”, que o parlamentar utilizou verba pública para pagar o aluguel de uma empresa privada no mesmo imóvel onde funciona seu gabinete em Goiânia. Segundo Neto, documentos reunidos mostram que Gayer compartilha o espaço com a Academia Gayer LTDA, sua empresa de cursos, o que configuraria crime de peculato. Neto chegou a desafiar Gayer publicamente, alegando possuir provas e afirmando que o deputado nunca o processou por tais denúncias.
Em resposta, Gayer optou por não se pronunciar formalmente, mas bloqueou Carlito Neto nas redes sociais, o que foi ironizado por Neto: “Ele é a favor da liberdade de expressão, mas me bloqueou,” comentou o cientista político.