Goiânia, 04/04/2025
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Projeto de combate ao abuso sexual infantil leva conscientização para escolas em Goiânia

07/11/24

Em resposta aos altos números de casos de violência sexual infantil em Goiás, o Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad) lançou o projeto Combate ao Abuso Sexual Infantil, uma ação educativa que agora se expande para escolas públicas. Somente neste ano, o Hecad, ligado à Secretaria Estadual de Saúde (SES), registrou 412 vítimas de abuso sexual, resultando em 1.942 atendimentos médicos e psicossociais. Em alguns casos, as vítimas não sobreviveram às consequências físicas do abuso.

O projeto teve início no próprio hospital e foi oficialmente lançado nas escolas nesta quarta-feira, 6, no Centro de Ensino Integral do Parque Santa Cruz, em Goiânia, que atende cerca de 240 alunos do ensino fundamental. Profissionais de saúde, entre médicos, psicólogos, assistentes sociais, pedagogos e enfermeiros, orientaram os estudantes sobre como identificar e prevenir situações de abuso, utilizando o Semáforo do Toque, que indica limites de interação física de forma lúdica: vermelho para “proibido”, amarelo para “cuidado” e verde para “permitido”. 

Cada aluno recebeu também uma cartilha para levar as informações até os familiares. “Preparamos o material respeitando cada faixa etária, de forma acessível e educativa”, explicou a supervisora da equipe multiprofissional do Hecad, Ana Maria Faustino, ao jornal O Popular.

Diretor da escola, Rogério Cavalcante de Moraes destacou a importância da parceria para capacitar professores e demais funcionários. “Essa cooperação é essencial, pois nós, educadores, temos um olhar que pode complementar o trabalho da saúde,” afirmou.

A pediatra Joyce Martins, especialista em adolescência, ressaltou que o Hecad recebe uma média de 40 novos casos de abuso sexual por mês, com vítimas em sua maioria vindas da Região Metropolitana de Goiânia. Em casos mais graves, os danos causados pelas agressões demandam cirurgias complexas, especialmente em crianças de zero a 14 anos, faixa etária predominante entre as vítimas. “Essas violências não são apenas sobre estupro ou penetração, mas podem começar com gestos mais sutis e progressivos, como um beijo. Precisamos que as crianças reconheçam o que é uma violência e se protejam,” enfatizou a médica.

Além dos dados locais, o Hecad utiliza o recente relatório do UNICEF e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) para contextualizar a gravidade da situação no Brasil. O levantamento aponta que de 2021 a 2023 houve 164.199 notificações de violência sexual contra menores de 19 anos no país, com um aumento progressivo: de 46.863 casos em 2021 para 63.430 em 2023. Estima-se, porém, que a realidade seja ainda mais sombria, pois apenas 8,5% dos casos chegam às autoridades policiais, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Em 85,1% dos episódios, o agressor é uma pessoa próxima, tornando o crime ainda mais complexo.

Para Joyce Martins, o diálogo com os estudantes precisa ocorrer de forma contínua, e não restrita a ações isoladas, como as do Maio Laranja. O projeto prevê visitas semestrais a escolas, em maio e novembro, visando criar uma rede de conscientização que envolva professores, pais e profissionais de saúde, reforçando a prevenção e proteção das crianças.


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