08/11/24
O jornal O Popular destacou, em editorial desta sexta-feira (8), a grave crise que afeta a coleta seletiva de resíduos em Goiânia. O serviço, que já enfrentava dificuldades, tem apresentado retrocessos significativos. Em 2020, a coleta seletiva alcançou apenas metade da meta estabelecida, enquanto em 2022, caiu para um terço. A meta para 2023 era que 19% do lixo da capital fosse reciclado, o equivalente a mais de 96 mil toneladas. No entanto, apenas 30 mil toneladas foram devidamente destinadas à reciclagem.
O Plano Municipal de Resíduos Sólidos (2013) e o Plano de Coleta Seletiva de Goiânia (2021) previam um aumento gradual no volume de materiais recicláveis, mas a realidade mostra estagnação e desafios contínuos. A transição da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) para o consórcio terceirizado LimpaGyn agravou a situação, gerando atritos com cooperativas e associações de catadores, que reclamam da queda no volume e da má qualidade dos materiais, muitos contaminados com resíduos inadequados, inclusive lixo hospitalar.
A coleta seletiva é vital para reduzir a pressão sobre o aterro sanitário de Goiânia, que se aproxima do fim de sua vida útil. Além disso, ajuda a evitar o descarte irregular em áreas de preservação e serve como fonte de renda para catadores. No entanto, diante desse cenário crítico, a Prefeitura de Goiânia, responsável pelo pagamento do serviço com recursos públicos, mantém-se inerte e sem ação concreta para reverter o quadro.