10/11/24
Em resposta às recentes declarações do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), afirmou que nunca teve o apoio de Bolsonaro em suas campanhas eleitorais e que seu sucesso político se deve ao reconhecimento do eleitorado goiano pela gestão estadual, e não à influência do ex-presidente. As afirmações de Caiado vêm após Bolsonaro sugerir que figuras como o governador goiano teriam se eleito “sob sua sombra” e que agora estariam dividindo a direita no Brasil.
Bolsonaro, que está inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), declarou em entrevista à Folha de São Paulo que “a direita não tem dono” e insinuou que Caiado, entre outros nomes, teria obtido sucesso nas urnas graças à sua influência. Porém, o governador rebateu as declarações, reforçando que sua reeleição no primeiro turno, em 2022, ocorreu sem qualquer apoio de Bolsonaro, e, na verdade, em oposição a candidatos apoiados pelo ex-presidente, como o ex-deputado Major Victor Hugo.
A eleição de 2022 evidenciou a autonomia de Caiado frente ao bolsonarismo. Com quase 52% dos votos válidos no primeiro turno, o governador conquistou a vitória contra adversários alinhados a Bolsonaro, beneficiando-se de um eleitorado que buscava continuidade nos avanços de sua gestão. Estimativas apontam que mais de 70% de seus eleitores foram motivados por uma postura crítica ao bolsonarismo. Em 2024, essa independência se refletiu novamente com a vitória do candidato apoiado por Caiado, Sandro Mabel, nas eleições para prefeito de Goiânia, vencendo o bolsonarista Fred Rodrigues, que contava com apoio direto do ex-presidente.
Para Caiado, a tentativa de Bolsonaro de interferir nas escolhas de lideranças locais, como no caso das eleições em Goiânia e Aparecida de Goiânia, foi um erro. “Não se forma uma liderança majoritária sem responsabilidade e experiência. Bolsonaro falhou ao impor candidatos que não estavam preparados para cargos de liderança local, como Goiânia”, afirmou o governador, que acredita que o ex-presidente desconsiderou a importância de respeitar a autonomia das lideranças estaduais.
Durante eventos recentes em Goiânia, Bolsonaro teria se referido a Caiado de forma desrespeitosa, mas o governador optou por não responder às provocações, preferindo focar no resultado das eleições municipais. “Tenho uma história de vida e de serviço que não depende de ninguém para ser legitimada. Ganhei as eleições por mérito próprio, algo que ele (Bolsonaro) não pode afirmar da mesma forma”, afirmou Caiado em tom de crítica.
Bolsonaro, inelegível e enfrentando investigações por tentativa de golpe e outros casos, como o escândalo das joias e a falsificação de comprovantes de vacinação, segue pressionando para manter sua influência sobre o eleitorado conservador. O ex-presidente sustenta que pretende ser candidato novamente em 2026, caso obtenha o retorno de seus direitos políticos, embora ainda dependa de decisões judiciais. “Só estarei fora do pleito se estiver morto”, declarou.
Caiado, por sua vez, confirmou sua intenção de disputar a presidência e se mostrou confiante quanto à sua independência política. “Em 2026, Ronaldo Caiado estará no páreo, seja quem for o adversário. Enquanto Bolsonaro não sabe se poderá participar, eu já tenho certeza de que estarei na corrida presidencial,” declarou, estabelecendo-se como um nome forte da direita brasileira e reafirmando sua posição como liderança independente, distanciando-se das tentativas de centralização do bolsonarismo.