10/11/24
A cultura goiana perdeu uma de suas figuras mais emblemáticas na manhã deste domingo, 10. Maurício de Oliveira da Costa, conhecido como Mauricinho Hippie, morreu aos 75 anos e deixa um legado inestimável na arte e na boemia de Goiânia. A causa da morte não foi informada pela família, mas há alguns anos ele vinha enfrentando Alzheimer e Parkinson, doenças que o afastaram de sua rotina artística nas ruas e nas galerias da cidade.
Mauricinho era natural de Araguari, em Minas Gerais, mas mudou-se para Goiânia ainda menino, aos nove anos, onde construiu toda sua carreira. De roupas extravagantes, cabelos coloridos e presença inesquecível, ele se tornou um ícone cultural na capital goiana, especialmente no Setor Oeste, onde era fácil reconhecê-lo com seu inseparável acordeão e sua fiel poodle de pelo pintado de rosa. Para quem o conheceu, Mauricinho era mais que um artista — ele era um símbolo de liberdade e autenticidade.
Aos 12 anos, Mauricinho começou sua formação musical na extinta Academia Mascarenhas, onde aprendeu a tocar acordeão, e seguiu seus estudos no Conservatório da Universidade Federal de Goiás (UFG). Mais tarde, também fez o curso livre de artes na Escola de Belas Artes da UFG, aprofundando-se nas artes plásticas, que se tornariam outro de seus grandes amores. Por sua autenticidade e estilo irreverente, Mauricinho foi chamado por amigos de "a vanguarda de Ney Matogrosso", inspirando uma geração que buscava liberdade de expressão e criatividade.
Além de suas contribuições nas artes visuais e na música, Mauricinho foi um dos primeiros a apoiar o movimento hippie em Goiânia, defendendo um estilo de vida pacífico e conectado à natureza. A importância de seu legado é tamanha que a Praça Hippie, no Setor Oeste, foi nomeada em sua homenagem, tornando-se um ponto de referência cultural e alternativa na cidade.
Nos últimos anos, Mauricinho foi hospitalizado no Hugol em estado grave, o que mobilizou a comunidade goianiense em orações e homenagens. Hoje, amigos, jornalistas e admiradores expressaram pesar em grupos e redes sociais, lembrando a alegria e o estilo único que o artista imprimia nas ruas da cidade. Sua partida deixa uma lacuna na cena cultural de Goiânia, mas também inspira lembranças vibrantes e histórias que muitos guardarão com carinho.