Goiânia, 04/04/2025
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Novos cursos de Medicina da UniRV em Goiás geram discussões em Goiás

12/11/24

A Universidade de Rio Verde (UniRV) planeja a abertura de dois novos cursos de Medicina em Goiás, oferecendo 60 vagas para Uruaçu, no Norte do estado, e 60 para a cidade de Goiás, na região Central. Porém, a possível expansão tem gerado polêmica entre entidades, como o Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego) e o Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Educação Superior de Goiás (Semesg). Essas organizações questionam o cumprimento de critérios de qualidade e infraestrutura para a criação dos cursos.

Em um vídeo divulgado nas redes sociais do Cremego, a presidente da entidade, Sheila Soares Ferro Lustosa Victor, expressou preocupação com o que considera uma "abertura indiscriminada de faculdades de Medicina em Goiás". Ela ressaltou que essa é uma pauta nacional liderada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pelos conselhos regionais, que defendem a "qualidade do ensino médico, hoje ameaçada pela criação de novos cursos sem a estrutura mínima necessária para formar bons médicos". 

A presidente também revelou surpresa com a notícia de que esses cursos teriam sido aprovados pelo Conselho Estadual de Educação (CEE), descrevendo a situação como "mercantilização do ensino médico". Uma plenária para discutir o tema foi convocada pelo Cremego nesta segunda-feira, 11, com a participação do CEE, Semesg e Ministério Público de Goiás.

O presidente do CEE, Flávio Roberto de Castro, desmentiu que o conselho tenha autorizado a criação dos cursos. “Não existe nem processo aberto. Há um regramento para a criação dos cursos, e nenhum foi aprovado. Foi dito algo de maneira desrespeitosa sobre isso”, afirmou. Castro explicou que, quando um pedido de abertura é protocolado, o CEE avalia as condições técnicas da instituição e do local onde se pretende abrir o curso. “Os últimos três pedidos não conseguiram a aprovação. O último foi no final do ano passado, para um curso em Caldas Novas, que também não foi aprovado”, esclareceu.

Castro destacou que as objeções do CEE se aplicam apenas a cursos aprovados no âmbito estadual, pois os critérios são definidos localmente. Já no caso de cursos federais, avaliados pelo Ministério da Educação (MEC), o conselho não tem jurisdição. O presidente do Semesg, Jorge de Jesus Bernardo, defendeu que os critérios do MEC são mais rigorosos, com processos de acompanhamento robustos. “Em estados como Minas Gerais e Santa Catarina, toda a autorização passou para o sistema federal, o que traz maior qualidade na avaliação. Seria uma solução eficaz para Goiás”, afirmou Bernardo, que ainda pontuou que o sistema estadual permite que cursos sigam critérios distintos, mesmo que todos formem médicos que atenderão a população.

“Não é uma questão de mercado. Medicina é um curso caro, com mensalidades em torno de R$ 9 mil. Seria bom ter uma faculdade em cada esquina, mas não temos condições para isso. Os estudantes fazem um grande investimento, e as faculdades devem seguir todas as normas. O que vemos, porém, é a divulgação do curso sem que haja estrutura”, criticou o presidente do Semesg. Bernardo ainda mencionou que, em Uruaçu, a divulgação local da abertura de um curso de Medicina para 2025 gerou repercussão até em campanhas eleitorais. A decisão de oferecer os cursos em Uruaçu e Goiás foi tomada pelo Conselho Universitário da UniRV em outubro.

A UniRV informou ao jornal O Popular que a proposta de novos cursos segue o “Edital N. 01 de 20 de setembro de 2024”, lançado pelo CEE para permitir que instituições sob sua jurisdição manifestem interesse em abrir novos cursos de Medicina. A universidade também enfatizou que “entende e respeita as opiniões dos órgãos citados e reforça seu papel como agente de saúde em todo o Estado”.


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