12/11/24
A Polícia Federal (PF) indicou o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) como figura central de uma organização criminosa que teria desviado verbas parlamentares. Em operação realizada em 25 de outubro, agentes cumpriram mandado de busca e apreensão contra Gayer, que é acusado de coordenar um esquema de desvio de recursos públicos usando expedientes fraudulentos.
“A Polícia Federal identificou um grupo estruturado e com divisão de tarefas, organizado no ambiente político e com o objetivo de redirecionar verbas parlamentares, neste caso associadas ao deputado Gustavo Gayer, por meio de falsificação de documentos e uso indevido de recursos públicos”, afirmou o delegado Leonardo Américo Angelo Santos.
O delegado destacou que, como representante do legislativo, “a figura central da organização não podia ser outra senão o próprio deputado”, caracterizando Gayer como o responsável final e autor intelectual do esquema.
A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes após pedido da PF em setembro e aprovação pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em outubro. Gayer, que é investigado por desvio de dinheiro público, falsificação de documentos e associação criminosa, afirmou em vídeo publicado em suas redes sociais. “Nunca cometi nenhum crime e estou sendo tratado como um criminoso pela Polícia Federal e pelo Alexandre de Moraes”. Durante a operação, o celular do deputado foi apreendido para perícia.
Segundo a investigação, Gayer teria utilizado verbas de sua cota parlamentar para pagar o aluguel de um imóvel que abrigava tanto seu gabinete como sua escola particular, Gayer e Gayer Idiomas, configurando uso indevido de recursos públicos. A PF também apurou que o local era usado para atividades da loja Desfazueli, de propriedade do deputado.
A PF incluiu na investigação mensagens trocadas entre assessores de Gayer, nas quais auxiliares expressavam preocupação com a situação. Em uma das conversas, um dos assessores teria alertado: “A escola está sendo paga com recurso público e sendo usada para algo totalmente fora dos padrões”. Outro trecho destaca: “Gustavo hoje é uma vidraça, um alvo, e se continuarmos, infelizmente estamos errando, pregamos uma coisa e vivemos outra”.
A investigação também trouxe indícios de um suposto crime de peculato envolvendo a contratação irregular de João Paulo de Sousa Cavalcante, assessor parlamentar de Gayer. Segundo a PF, a empresa Goiás Online foi contratada pelo gabinete para contornar um impedimento legal que proibia a contratação direta de Cavalcante como secretário parlamentar, devido a sua prestação de contas eleitoral pendente.
De acordo com o relatório da PF, a Goiás Online teria sido utilizada para disfarçar a função de Cavalcante como assessor, embora ele de fato coordenasse a agenda e as atividades políticas de Gayer. “A empresa Goiás Online foi contratada como fachada para assessoria parlamentar, evidenciada pelo gerenciamento da agenda do deputado por João Paulo”, explicou o delegado Santos.