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Ex-mulher diz à PF que homem-bomba queria matar Alexandre de Moraes

15/11/24

A ex-mulher do autor do ataque à bomba na Praça dos Três Poderes prestou depoimento à Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira, 14, e disse que o intuito de Francisco Wanderley Luiz era matar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). “Queria matar o ministro Alexandre de Moraes e quem mais estivesse junto na hora do atentado”, disse a mulher, identificada apenas como Daiane, a agentes do setor de inteligência da Polícia Federal.

Francisco, ex-candidato a vereador em Santa Catarina pelo Partido Liberal (PL), foi encontrado morto após as explosões. De acordo com Daiane, ele vinha pesquisando na internet métodos para executar o ataque e confirmava sua intenção de matar Moraes. “Ele nunca mencionou tirar a própria vida. Isso só aconteceu porque ele foi pego”, disse.

Francisco Wanderlei Luiz era conhecido por sua ligação com ideologias extremistas e apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Após a derrota de Bolsonaro nas eleições de 2022, ele passou a integrar acampamentos golpistas, pressionando por intervenção militar, além de atacar as instituições democráticas. Após os atos de vandalismo de 8 de janeiro em Brasília, Francisco tornou-se ainda mais radical. Em sua casa, as autoridades encontraram documentos e mensagens que pregavam a "limpeza" de opositores considerados "inimigos da democracia".

O ataque com explosivos causou pânico e danos materiais nas proximidades do STF e do Anexo IV da Câmara dos Deputados. Francisco utilizou dispositivos caseiros que detonaram em sequência, que gerou fumaça e assustou pessoas que transitavam pela região.

O plano inicial incluía a aproximação de alvos estratégicos, como Alexandre de Moraes, o que reforça a gravidade da ação. A polícia investiga a possibilidade de Francisco ter contado com apoio logístico de outros envolvidos nos grupos radicais aos quais era vinculado.

Após o atentado, a segurança foi intensificada nas sedes dos Três Poderes. Barreiras foram instaladas e o monitoramento por câmeras foi ampliado para evitar novos ataques. A Polícia Federal mantém o alerta máximo, enquanto busca identificar possíveis cúmplices de Francisco.

Em pronunciamento, o ministro Alexandre de Moraes condenou o ataque e destacou a importância de punir rigorosamente os envolvidos em atos antidemocráticos. “Atentados contra as instituições são atentados contra a democracia. Não haverá tolerância para esses crimes”, afirmou.

Nesta manhã desta quinta-feira, 14, um trailer levado por Francisco à Esplanada, a PF encontrou um celular que seria de Luiz. O aparelho passará por perícia. A PF também realizou buscas na casa do homem em Santa Catarina e documentos foram apreendidos. Já na noite de quarta-feira, 13, a Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF) identificou artefatos explosivos na casa que o homem alugou em uma região administrativa do Distrito Federal e todos estavam prontos para detonação.


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