16/11/24
O ataque com bombas ocorrido nas proximidades da Praça dos Três Poderes, em Brasília, reacendeu tensões políticas e provocou um golpe nas articulações pela aprovação do Projeto de Lei da Anistia, que busca perdoar os envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. Em mensagens vazadas de um grupo de WhatsApp de parlamentares bolsonaristas, o deputado Gustavo Gayer (PL-GO) admitiu que o episódio enfraquece a proposta. “Agora vão enterrar a Anistia”, escreveu ele, referindo-se ao atentado praticado por Francisco Wanderley Luiz, que morreu em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O caso, classificado como terrorista pelos ministros da Suprema Corte, gerou críticas em relação à possibilidade de o Congresso Nacional conceder o perdão aos golpistas. Francisco Wanderley Luiz era ligado a grupos de extrema-direita e participou de manifestações golpistas, segundo investigações.
Após o vazamento das mensagens, Gayer deixou o grupo “Oposição Raiz - Câmara”, mas o impacto de sua fala repercutiu na imprensa nacional. O jornal Folha de Pernambuco destacou a frase do parlamentar goiano como indicativo do desgaste político em torno do PL da Anistia.
Conforme a publicação, o atentado reacendeu debates sobre a responsabilidade ideológica e política por atos extremistas. Apesar de lideranças do PL, partido de Jair Bolsonaro, rejeitarem vínculos entre Francisco e o bolsonarismo, investigadores apontaram que o homem-bomba era filiado ao PL e tinha em sua posse objetos com referências ao ex-presidente, como um boné com o slogan “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.
O senador Rogério Marinho (PL-RN) e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) rejeitaram a conexão do episódio com o bolsonarismo. Marinho pediu que o caso seja tratado como o de Adélio Bispo, autor do ataque a Bolsonaro em 2018, classificado como ação de um “lobo solitário”.
Enquanto lideranças bolsonaristas, como Eduardo Bolsonaro e Altineu Côrtes (PL-RJ), defendem a continuidade da tramitação do PL da Anistia, outros parlamentares apontam que o episódio das bombas pode ser usado como argumento para retardar o debate. A criação de uma comissão especial para discutir o projeto é considerada fundamental para a sustentação política do PL na Câmara.
Altineu Côrtes, líder da bancada do PL, afirma confiar no compromisso do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para a instalação da comissão ainda este ano. “Qualquer narrativa que conecta uma coisa à outra é manobra para postergar o PL da Anistia”, declarou.