19/11/24
Com o início do período chuvoso, as ruas de Goiânia têm sofrido com a deterioração acelerada do asfalto. Desde outubro, a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra) já reparou cerca de 12 mil buracos em diversas vias da capital, incluindo locais recém-recapeados. O problema vem causando transtornos e até acidentes. Na manhã da última segunda-feira, 18, um motociclista caiu em um buraco na Avenida 85, próximo ao viaduto Latif Sebba, e precisou ser levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Noroeste com suspeita de fratura na perna.
Apesar da resposta rápida da Seinfra, que utiliza tecnologia avançada e equipes dedicadas, o surgimento dos buracos pode ser mais um sintoma do que a causa, conforme explica o mestre em geotecnia Maurício Barbosa da Cruz. “A água da chuva não é o problema, mas um revelador de falhas preexistentes. Pequenas fissuras no asfalto, se não tratadas, permitem a infiltração de água, o que agrava o desgaste e pode até comprometer o solo”, afirmou Cruz ao jornal O Popular.
A Seinfra tem intensificado os trabalhos, mobilizando cerca de dez caminhões diariamente para atender as demandas. Em outubro, foram reparados 9.529 buracos, consumindo mais de 858 mil toneladas de Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ). Até 14 de novembro, mais 2.458 buracos foram tapados, totalizando 253 toneladas de material aplicado.
Grande parte das ocorrências foi identificada pelos veículos de inteligência artificial da empresa curitibana Mapzer, contratada pela Prefeitura. Os carros inteligentes mapeiam fissuras, buracos e outros problemas em relatórios mensais. Desde o início do contrato em 2022, a empresa tem ajudado a direcionar as ações de manutenção. Entretanto, especialistas alertam que o serviço de tapa-buracos, embora necessário, pode mascarar problemas estruturais mais profundos.
A Mapzer foi contratada pela Prefeitura sem licitação, com justificativa de exclusividade na tecnologia utilizada. A prorrogação do contrato em março deste ano, no valor de R$ 2,4 milhões, foi justificada pela Seinfra como medida de eficiência. Segundo a secretaria, a inteligência artificial ajuda na logística, permitindo mais atendimentos com os mesmos recursos.