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Militar preso pela PF utilizou dados de engenheiro de acidente para plano golpista

21/11/24

O tenente-coronel do Exército Rafael Martins de Oliveira, preso pela Polícia Federal (PF) na Operação Contragolpe, utilizou de forma fraudulenta os dados de um engenheiro mecânico envolvido em um acidente de trânsito para registrar uma linha telefônica usada em planos golpistas. O acidente ocorreu em 24 de novembro de 2022, na BR-060, entre Goiânia e Brasília.

De acordo com a PF, Rafael pegou os dados de Lafaiete Teixeira Caitano durante o registro da ocorrência de trânsito. Caitano forneceu os documentos necessários para que o seguro fosse acionado, mas desconhecia que suas informações seriam usadas pelo militar.

Com os dados do engenheiro, Rafael Martins criou o registro “teixeiralafaiete230” para habilitar um celular e trocar mensagens no grupo que planejava um golpe de Estado. A PF aponta que essa prática de anonimização é uma técnica militar ensinada em treinamentos das Forças Especiais, com o objetivo de mascarar a identidade do verdadeiro usuário.

O engenheiro, surpreendido com a revelação, declarou à Agência Brasil: "Eu disponibilizei os documentos para fazermos todo o trâmite junto à seguradora. Tô em choque. A gente vê notícias desse tipo, mas nunca imagina que algo assim vai acontecer com a gente. Graças à eficiência da polícia, foi constatado que eu sou vítima. Ele agiu de má-fé mesmo."

Rafael Martins, lotado em Goiânia, teria alugado o carro envolvido no acidente três dias antes no Aeroporto Internacional de Goiânia. A PF suspeita que o veículo foi usado para monitorar clandestinamente o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes em Brasília, evitando o uso de um carro próprio ou de uma viatura militar.

Durante as investigações, a PF encontrou no celular de Rafael fotografias dos documentos de Caitano, comprovando a ligação entre o registro fraudulento e o tenente-coronel.

A investigação também revelou que Rafael Martins já havia habilitado outra linha telefônica em junho de 2022, usando os dados de um morador de Belo Horizonte. Além disso, o mesmo aparelho celular vinculado ao militar recebeu 1.423 linhas telefônicas entre maio e dezembro de 2022, evidenciando a extensão das fraudes.

Segundo o jornalista Lauro Jardim, Rafael também adquiriu um smartphone em Goiânia, pago em dinheiro e registrado no nome de sua esposa, Renata Reis, mas que era utilizado exclusivamente por ele nos planos golpistas.

Além de Rafael Martins, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, autorizou as prisões preventivas de outros envolvidos, incluindo o general da reserva Mário Fernandes e os tenentes-coronéis Hélio Ferreira Lima e Rodrigo Bezerra Azevedo. A PF reuniu provas de que o grupo planejava não apenas o golpe, mas também o assassinato do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e de seu vice, Geraldo Alckmin, em uma tentativa de impedir a posse e ameaçar a democracia brasileira.


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