21/11/24
O general do Exército Mário Fernandes, investigado por planejar o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro Alexandre de Moraes, do STF, durante a Operação Contragolpe, tem ligações estreitas com Goiás e foi homenageado pela Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) em ao menos duas ocasiões nos últimos cinco anos.
Em 2019, Fernandes recebeu o título de Cidadão Goiano por iniciativa do deputado estadual Bruno Peixoto (UB), atual presidente da Alego. À época, a justificativa do projeto destacou os "princípios éticos, morais e de merecimento" do general, que liderava o Comando de Operações Especiais, em Goiânia. O título foi sancionado pelo governador Ronaldo Caiado (UB) em dezembro daquele ano e entregue oficialmente em abril de 2022, em uma sessão presidida por Peixoto.
Na cerimônia de 2022, alusiva ao Dia do Exército, Fernandes exaltou o preparo técnico e operacional dos militares goianos e destacou a capacidade da Brigada de Operações Especiais em lidar com ameaças terroristas. Outros 92 militares também foram homenageados, incluindo Rafael Martins de Oliveira, preso na mesma operação da PF.
De acordo com a Polícia Federal, Fernandes foi apontado pelo colaborador Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, como "um dos militares mais radicais". Investigações indicam que o general influenciava grupos extremistas acampados em QGs do Exército após a derrota de Bolsonaro em 2022, além de fornecer suporte material e financeiro.
A PF afirma que Fernandes elaborou e imprimiu o plano golpista "Punhal Verde e Amarelo" no Palácio do Planalto, detalhando estratégias para assassinar as autoridades e impedir a posse de Lula. O plano foi discutido em novembro de 2022 na casa do general Braga Netto, então aliado de Bolsonaro.