22/11/24
Tenente-coronel Guilherme Marques Almeida, ex-comandante do 1º Batalhão de Operações Psicológicas em Goiânia, figura entre os 37 indiciados no inquérito da Polícia Federal (PF) que apura crimes de tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e abolição do Estado Democrático de Direito. O inquérito inclui também o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Almeida ganhou notoriedade em fevereiro deste ano ao ser alvo da Operação Tempus Veritatis, realizada pela PF, durante a qual desmaiou no momento em que agentes federais chegaram à sua residência. Na época, o militar foi apontado em um relatório como integrante de um “núcleo de desinformação e ataques ao sistema eleitoral”. Segundo a PF, esse núcleo buscava fomentar ações de seguidores em frente a quartéis e outras instalações militares, com o objetivo de criar condições favoráveis para um golpe de Estado.
Pouco após o episódio, o Exército divulgou a exoneração de Almeida do comando do 1º Batalhão de Operações Psicológicas, ato publicado no Diário Oficial da União.
O inquérito finalizado pela PF e divulgado nesta quinta-feira, 21, concluiu que os indiciados formaram uma organização criminosa que atuou de forma articulada para impedir a alternância de poder após a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2022.
Além de Almeida, a lista de investigados inclui nomes de destaque no governo Bolsonaro, como o ex-ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, o ex-ajudante de ordens Mauro Cid, e o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro. A relação também inclui ex-militares, políticos, e outras figuras públicas, como Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, e Valdemar Costa Neto, presidente do PL.
A defesa do tenente-coronel Guilherme Marques Almeida ainda não se pronunciou sobre as acusações. O espaço permanece aberto para manifestação.
As conclusões da PF ressaltam que a suposta organização criminosa utilizava estratégias de desinformação e articulação com movimentos antidemocráticos. Essas ações culminaram na tentativa de mobilizar segmentos da sociedade para sustentar um golpe de Estado, minando as instituições democráticas e a legitimidade do processo eleitoral.
Entre os esforços relatados, destaca-se a incitação à ocupação de espaços públicos e a permanência de grupos em frente a quartéis. A PF argumenta que essas iniciativas buscavam pressionar as Forças Armadas a intervir no resultado das eleições.