23/11/24
Em apenas três dias, ao menos duas mulheres morreram internadas à espera de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em Goiânia. Elas estavam na rede municipal de saúde da capital. As apurações foram feitas pela TV Anhanguera, que vem trazendo informações sobre pessoas que tinham familiares à espera de vagas na UTIs em Cais e UPAs da cidade.
Um destes casos é o de Janaina de Jesus, de 29 anos. No dia 17 de novembro, ela foi até a UPA do Jardim Itaipu por sentir falta de ar, dor no peito, dores de cabeça e vômitos. Ela foi até o lugar para ser atendida, mas o quadro se agravou e os médicos disseram à família que ela precisava de ser internada UTI, porém ela teve de esperar por um leito por parte da rede municipal. Na última terça-feira, ela não resistiu e morreu.
Outro caso é o de Katiane de Araújo Silva, de 36 anos, que sentia dores no corpo e dores de cabeça. Ela procurou o Cais de Campinas, mas foi atendida e liberada. Como ainda não estava bem, foi internada no Cais Cândida de Moraes, mas também morreu, nesta quinta-feira, à espera de uma vaga na Unidade de Terapia Intensiva.
Conforme apurado pelo jornal O Popular, coordenadora da área de saúde do Ministério Público de Goiás, Marlene Nunes, informou que a dificuldade de acesso às Unidades de Terapia Intensiva pela rede municipal de saúde de Goiânia já perdura há ao menos sete meses.
Inclusive, em maio deste ano, promotores de Justiça foram até as unidades de urgência e emergência pré-hospitalares. Em 76% dos casos, o prazo de espera dos pacientes para serem internados nas UTIs era superior a 24 horas. Em outros 53%, o prazo de espera era de dois dias.
Também em maio, o MP teve acesso ao sistema de regulação municipal. Foi verificado ao menos 650 pessoas aguardando leitos e, ao mesmo tempo, hospitais com leitos SUS desocupados. Uma explicação para isso é a falta de repasse de verbas para hospitais particulares que que têm leitos contratados pelo SUS.
Diante das complicações, em agosto, a Justiça determinou que o prefeito de Goiânia, Rogério Cruz, e o secretário de saúde de Goiânia, Wilson Pollara, resolvessem a situação das UTIs no prazo de 15 dias sobe multa de cinco mil reais. A prefeitura recorreu, mas a situação foi revertida pelo MP no dia 6 de novembro. Agora, a promotora disse que vai à Justiça pedir a execução da multa imposta.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que paciente Katiane de Araújo da Silva morreu em decorrência de complicações de dengue grave, conhecida anteriormente como dengue hemorrágica. Informou ainda que não houve falta de assistência para tratamento de dengue.
Por fim, disse que foram abertos 20 novos leitos no Hospital Ruy Azeredo e repassados R$1,7 milhão para a Santa Casa abrir mais 20 outros leitos.